Há muito tempo atrás as coisas eram bem diferentes. Nós mulheres éramos vistas de uma forma muito diferente e que honrava os dons que trazíamos ao mundo. Porém, chegou um tempo em que ouve uma grande ruptura e separação. Um momento onde deixamos de ser filhas da Mãe e do Pai, e passamos a ser apenas as filhas do Pai.

De repente, as normas masculinas tornam-se padrão de liderança, autonomia pessoal e sucesso em nossa cultura, aponta Maureen Murdock em a Jornada da Heroína. Tornamo-nos as Filhas do Pai, e buscamos não mais por mulheres que nos inspirem e guiem, mas sim, por mentores e homens, com dificuldade, muitas vezes, de aceitar suas ordens e ensinamentos. Será que algo dentro de nós quer nos dizer algo? Quer se rebelar contra algo? Enquanto isso, saímos pelo mundo, sem mães, buscando e procurando pela aceitação paterna e por conquistar o mundo, ao invés de sermos dependentes como nossas mães. Sendo assim, as mães/mulheres tornam-se as vilãs e foco de chacota, de ofensas e de brigas.

Rompem-se também, os laços entre as mulheres que por tantos anos foram cultivados e que nos nutriam acima de tudo. Afinal, quando as mulheres estão juntas, liberam o hormônio do amor, a ocitocina, que é capaz de forças de cura indescritíveis. Quando em dor e amor, as mulheres tendiam a procurar umas as outras.
Modelando-se no Pai e mentores masculinos, não tinha ideia em como pensar como uma mulher com um corpo feminino, ou como identificar-me com outras mulheres, em reconhecimento de sua posição como mulher em uma sociedade patriarcal, aponta Maureen Murdock.

Mas essa nova sociedade não valorizava o sentir e nossas emoções, pelo contrário, ela dizia que isso era sinal de descontrole, de fraqueza e mostrava que as mulheres não podiam ser confiáveis, porque nunca poderíamos saber como iriam estar. E para provar que podíamos sim estar entre homens, ao lado deles ou sendo adorada por eles, começamos a reprimir nossos sentimentos e a suprimir a menstruação e evitar a gravidez, para poder alcançar um poder (masculino) que nos colocaria como igual.
Nossa menina interior não quer ser esquecida ou deixada de lado, ela quer fazer parte, ela quer ser aceita, ela quer estar junto. Mas, nossas referências

Nos tornamos, o que Maureen chama de a Amazona Armada. Onde deixamos para trás, escondido bem lá no fundo, os sentimentos femininos, a espontaneidade de viver no presente, nossa criatividade e intuição, e relacionamentos saudáveis com nossos ciclos e corpo, em detrimento do perfeccionismo, do poder e da conquista pela igualdade. Mas, não percebemos o quanto de nós foi perdido no caminho.
Tornamo-nos viciadas pela perfeição. Aprendemos as ferramentas do jogo com nossos pais ou com homens que tornam-se nossos aliados e vamos atrás de tudo que falta para fazer parte do jogo. Maureen aponta que, “já que faltava o equipamento físico masculino (genitália), o que eu podia fazer melhor era ser inteligente e fazer as coisas perfeitamente.”

Sim, perfeição. É algo que nunca será atingido, mas que buscamos constantemente e no lugar errado. Porque ainda buscamos a aprovação do Pai. Buscamos o sucesso e poder através da mente e de iguala-se aos homens em seu mundo, em busca de uma aceitação e poder igualitário que nunca virá enquanto a perspectiva for sexista, sempre terá algo faltando. Buscamos o corpo perfeito e eternamente jovem, porque o homem desvalorizou e tachou a anciã de maléfica, bruxa e inútil, então, não podemos envelhecer, temos que ficar congeladas no tempo. Buscamos viver de forma linear e sempre fazendo algo, vivendo em um ritmo que é solar e masculino, e esquecemos quem somos.

Como encontrar minha identidade no mundo do Pai?

Polly Young e Florence Wiedemann, em Female Authority comentam que o reconhecimento que os homens são “pessoas masculinas” sem mágica de poder ou autoridade intrínseco ao seu gênero é necessário para que a mulher pare de competir com os homens, precisar de aprovação de instituições masculinas ou depreciar outras mulheres por suas adaptações.

 

Imagem: desconhecido
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