É incrível como aumentou o número de homens que me procura por diversos canais para entender o Sagrado Feminino e as Mulheres. Eu fico super feliz por essa busca genuína, por essa vontade e por essa sede de conhecimento. Ainda mais, porque essa sede é por algo que está falando ou mal-compreendido dentro deles mesmos. O Divino Feminino ficou por muito tempo renegado ou escondido de todos nós: homens e mulheres, e hoje, muitos estão acordando para essa falta. A falta primordial daquela que nos completa. Porque nós somos todos parte: Feminino e Masculino. E sem essa união equilibrada, ainda somos incompletos e geramos desequilíbrio no mundo exterior, que é o que mais vemos. Incompreensões e deturpações dessas energias, que estendem-se para os gêneros e para todo o mundo. Então, vivemos em um mundo que acaba louvando uma única face do todo e submetendo e denegrindo a outra contraparte. E no final, tudo continua muito errado…e isso, vai gerando problemas na sociedade e nos seres humanos que já não conseguem mais se enquadrar em algo que realmente não faz sentido.

Já não faz mais sentido tachar e rotular os seres humanos em isso é coisa de homem e isso é coisa de mulher, porque isso limita a nossa expressão e coloca barreiras nas formas que essas energias poderiam se expressar. Porque as energias masculinas e femininas são complementares e estão presentes em todos nós. Então, se eu rotulo que elas são SOMENTE assim, eu não me permito experimentar como elas são para mim, ou então, as LIMITO a APENAS UM GÊNERO DE EXPERIÊNCIA. Sendo, que para essas forças internas essas limitações não existem…e com isso, as mulheres e os homens não conseguem ser livres para vivenciar sua existência por completo. Porque acabamos sendo limitados por “valores”, “dogmas”, “rótulos” e “preconceitos” que dizem que homem não pode chorar ou ser sensível e que mulher não pode expressar sua sexualidade livremente sem ser chamadas por nomes. E acabamos vivendo em um contra-senso sem sentido onde um pode e o outro não pode. Isso é meu e isso é seu. Cada um aprisionado dentro de uma jaula limitadora e vergonhosa. Porque o homem tem que ser forte e a mulher fraca. Entre tantas outras coisas que conhecemos bem e que de forma velada/inconsciente ou explícita/consciente vão regendo esse mundo. E a verdade é que uma cultura patriarcal já não faz bem para ninguém, nem para os homens. Porque viver com a carga de produzir, conquistar (submetendo) e estar com o falo potente 24 horas por dia é demais até para o mais Hércules e Apolo deles!

1. O FEMININO SAGRADO

É parte inerente do Ser Humano é a força e as diversas manifestações do Feminino e portanto das deusas. É a forma como elas agem em nós e através de nós. E o PRIMEIRO-PASSO para aqueles que desejam fortalecer/equilibrar a energia feminina dentro deles e assim, aceitar novamente o Divino Feminino e a Deusa como parte da Totalidade e Unidade da vida, precisa entender o que é essa energia em nós. E como ela está muito além de gêneros. Aliás, abrir a mente além de rotulações de gênero é o caminho, e isso não fará ninguém perder suas “masculinidade” ou “feminilidade”. Porque não achem que são só os homens que vem com essas de perder a “masculinidade” ou tornar-se “afeminados”, e já recebi muitas mulheres como medo dessa “feminilidade”  como se ela viesse com coisas rosas, da hello-kitty e cheia também de esteriótipos. Não, é um convite para integrar-se com essa energia e deixá-la fluir de forma autêntica, livre de rótulos. Para entender um pouco sobre essa energia do feminino, que é conhecida também como shakti, que significa PODER, vá um pouco mais a fundo investido O IMENSO PODE QUE EXISTE EM NÓS.

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2. HONRAR E EXPRESSAR O FEMININO

É o SEGUNDO PASSO dessa caminhada. Quando sei que essa energia faz parte de mim, preciso encontrar como ela se expressa e manifesta em mim. Portanto, preciso ir muito além daquilo que ouvi minha vida toda sobre o que é o Feminino. Porque temos uma ideia muito deturpada disso tudo e isso inclui das mulheres. Então, é hora de voltar-se para si e estar disposto a investigar-se de verdade. Nós temos algumas (na verdade, mais de Mil Tipos de Manifestações) do feminino em nós. Podemos entendê-las como os arquétipos das deusas e um dom/capacidade que ela traz para expressarmos. Quando acessamos essa faceta, vamos montando o quebra-cabeça da nossa individualidade. É compreender que temos um lado Autônomo e Selvagem -Deusa Ártemis, um lado introspectivo e nutridor – Deusa Héstia, um lado maternal – Deusa Deméter, um lado racional e pragmático – Deusa Athena, um lado soberano e parceiro – Deusa Hera, um lado ligado à espiritualidade e ao lado oculto da vida – Deusa Perséfone, um lado sentir e coração – Deusa Afrodite, um lado sábio e com a sabedoria do discernimento – Deusa Hécate, um lado jovial e explorador – Deusa Coré, entre muitos outros. Assim, entendo que há momento para tudo! A hora em que devo ir atrás dos meus objetivos, racionalizar as coisas, mas há outros em que devo usar minha capacidade de sentir e vincular-se aos demais, tem horas que devo ficar em solitude e estar a sós, há momentos para ter o lado maternal de cuidar, auxiliar, ouvir e aconselhar e outros em que devemos ser firmes e fortes, perceber que posso viver minha vida de forma plena compartilhando-a igualmente com meus iguais sem me sentir ameaçado ou sem conquistar o que desejo com ameaças, violência ou imposição do poder. Tudo pode ser muito mais natural e equilibrado quando uso muitas ferramentas nos diversos momentos que a vida me pede.

Enquanto eu não honro o Feminino em Mim, vou continuar não honrando o Feminino fora de mim. E enquanto não faço isso, milhões de mulheres vão pagando com suas vidas por essas DESONRA. Sim, a falta do feminino ou o medo dele MATA TODOS OS DIAS. O maior índice de morte das mulheres é por seus parceiros e o índice de violência doméstica não para de crescer todos os dias. Por isso, é preciso entendermos essas energias em nós. E vermos, que não precisamos submetê-las a nossa vontade para controlá-las, precisamos sim aceitá-las como parte de nós e usá-las adequadamente. Cada deusa. Cada manifestação do feminino, precisa ser honrada. Para ser honrada nas mulheres ao seu redor. E também em você mesmo. Sem medo. Com compreensão e entendimento.

  • Respeitar as mulheres de forma sincera. Quando entramos em contato com o Feminino Sagrado despertamos as energias da empatia, compreensão e entendimento. Sim, porque é necessário compreender que somos seres distintos, porém complementares. E da mesma maneira que desejamos impor respeito, desejamos receber respeito. Uma das formas de fazer isso e entender o que as mulheres passam. Creio que tudo que foi dito acima já irá auxiliar. Outra forma é, por que eu tenho que continuar rotulando, agredindo ou submetendo as mulheres sempre que desejar? Por que faço isso? Só porque todo mundo faz? Como Sai Baba uma vez disse: O que é errado é errado mesmo que todos o façam. O que é certo é certo mesmo que ninguém o faça. Comece a mudar esses equívocos e comportamentos machistas. Nenhum homem e nenhuma mulher precisam segui-los.
  • Respeitar a vida cíclica das mulheres. O Feminino é uma energia incontrolável, fluida e cíclica. Apesar do mundo patriarcal vir tentando controlar essas energias de todas as formas que podem, ela nunca poderá ser contida. Isso é para compreender que o feminino é mutável e está sempre em transformação. Não é linear e regular como a energia do masculino. Portanto, é essencial entender que há 4 mulheres dentro de uma (vou escrever um artigo continuação para entender como funciona o ciclo feminino para os homens) e que vão mudando muito rapidamente. E isso não é sinal de instabilidade, mas sim parte de sua natureza. Que precisa ser respeitada e entendida. Assim, como é entendida a do masculino, que segue o linear e tem o direcionamento solar. Cólica não é mimim, gestação não é uma forma de atrapalhar carreira ou uma empresa, a licença maternidade não é férias, e as mudanças hormonais e emocionais da mulher não é loucura ou fonte de instabilidade, isso só acontece porque as mulheres tentam se “adequar”a um mundo masculino que não é o universo delas. E quando fazem isso, são tachadas de um monte de nomes, ao invés de serem compreendidas e respeitadas. Nós desejamos a mesma liberdade dos homens mas desejamos ser respeitadas pelas nossas diferenças. Somos diferentes em natureza mas iguais em direito. Eu repeito você e você me respeito. Simples assim.
  • Respeitar as mulheres e não mais se conformar com a realidade delas no mundo. Não está okay. Não é mimimi. Não é frescura. É fato. É preciso dar um basta! Nós somos uma grande tribo terrestre e todos precisam sentir-se livres e seguros para serem quem são. Isso não pode ser privilégio de apenas uma parte. É direito de todos. Honrar o feminino é permitir que ele seja livre, e honra o masculino é permitir que ele seja livre e reverencie o feminino. Os dois precisamos conviver juntos. Os dois precisam se respeitar juntos. Os dois precisam ser soberanos juntos. Nem mais e nem menos. Yin e Yang.

Só após curar e ressignificar o feminino que habita em nós é que poderemos voltar a honrar o feminino no mundo. Nas mulheres e em todos os seres. Só após essa cura é que iremos perceber que o Masculino também foi deturpado. Que ele não é SOMENTE o que vemos hoje. Como que os homens podem se conformar em ser tão pouco do seu potencial? É só isso: conquistar, submeter e apoderar-se? Só isso? Não! O Masculino Sagrado é muito mais do que isso…aliás, o que vemos, é mais o LADO NEGRO do MASCULINO, do que de fato sua parte SAGRADA e que deve vir a integrar-se ao FEMININO. O Masculino tem facetas magníficas: ele pode ser Zeus – o BOM PAI, a decisão COMPASSIVA, a boa vontade e a LIDERANÇA GENEROSA, pode ser Poseidon e a profundidade do SENTIR, ele pode ser Hades – é a força do SACERDOTE INTERIOR, pode ser Apolo – a Sabedoria da Verdade, pode ser Hermes – capacidade de aprender e ensinar, podemos ser Ares – o GUERREIRO DA PAZ, podemos ser Hefesto, a força do CURADOR e do FOGO CRIATIVO, pode ser Dionísio – AUTÊNTICO e LIVRE. Agregando deusas e deuses em nós, temos O Homem Selvagem é a homem integral. Inteiro. Livre. Saudável e Fortalecido. Seu nome ecoa dentro de nós. É a chave da lembrança. É a chave que permite que adentremos em nosso lar sem perder nossas peles ou rasgar nossas almas. Ele nos mantêm protegidos e seguros. Porque não precisamos nos fragmentar para sê-lo. Porque somos tudo isso e ele sabe. Ele é pura devoção. Ele sabe do ventre que veio e sabe do que é feito. Não teme. Não reprime. Apenas compreende porque sabe que é compreendido e que não precisa temer o feminino em si e nem nas mulheres. Porque aceitou essa parcela de si. Os homens reprimem e submetem o feminino porque o temem de alguma maneira, temem acessar essa parte e temem permitir que o feminino entre. Mas, o convite é para deixar entre. Deixar o Divino Feminino finalmente pegar-te novamente no colo e fazer-te andar e ver o mundo através dos olhos da Mãe além da do Pai.

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3. ENTENDER QUE O FEMINISMO TAMBÉM É PARA VOCÊ

Eu vibrei loucamente com o discurso da Emma Watson no HeForShe. Porque ela trouxe tudo que eu acredito. Que se desejamos mudar a forma como o feminino é visto no mundo, precisamos todos desejar isso. Porque é uma forma de lutar pela integração do Divino Feminino em nós e na Terra. É um grito pelos direitos das mulheres e pelo fim do patriarcado, mas também é um grito pelo Mãe Divina, pela restauração da Deusa e pelo retorno do Divino Feminino que permaneceu tantos séculos exilado e violado pelos rótulos de bruxa, vagabunda, prostituta, traidora, entre tantas outras coisas…e isso precisa acabar sim. Pelo bem de todas as mulheres que até hoje sofrem todos os tipos de violência e que morrem por conta do patriarcado. Os homens também precisam unir-se a esse Feminismo para Homens, porque é para benefício de todos.

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4. FAZER AS PAZES: CASAMENTO ALQUÍMICO

Sim, já está mais do que na hora de perceber que não somos compostos apenas de uma única substância, mas sim, que somos partes complementares de um todo que não é dual. Sendo assim, é imprescindível agregar à jornada da vida o Feminino Sagrado ao Masculino Sagrado, porque nós somos Feminino e Masculino. E não estou falando de gêneros, mas sim das forças que nos compõe e sustenta-nos. Como o yin e yang. Na luz há sombra. Na sombra há luz. Não há separação entre elas. Quem as separa somos nós. O mesmo acontece com o masculino e o feminino. Não há separação entre eles. Não dá para tentarmos define-los colocando-os em uma tabela comparativa onde temos: coração/mente, sentimentos/pensamentos, emoções/racionalidade, passivo/ativo, receptível/diretivo, imaginação/razão, fluido/linear, intuição/lógica, visão/realidade, criatividade/lógica, animus/anima, entre tantas outras coisas que conhecemos, que tentam definir e rotular o que é feminino e o que é masculino. Que todos nós, homens e mulheres possamos ser tudo isso! Seremos fortes, sermos sensíveis, sermos acolhedores, sermos independentes, sermos lógicos e sermos intuitivos. Que possamos aprender com a sabedoria dos Celtas: “Nesta sociedade as mulheres eram livres e tinham amplos direitos. Elas podiam inclusive lutar nas batalhas e pedir o divórcio, se assim o desejassem. Assim, elas também tinham liberdade de se tornar druidas, meio no qual elas se destacavam, pois simbolizavam a imagem da Deusa Mãe, cultuada pelos celtas. Os druidas reconheciam não ter ainda uma visão completa do Criador, portanto todos os deuses e deusas existentes no Planeta poderiam compor faces distintas de um único Deus.”, diz InfoEscola: Druidas. Que possamos ser guerreiras e que eles possam ser Bardos, e vice-e-versa. Que possamos ser autênticos. Porque, quando não fazemos isso, restringimos as forças que não estão sobre o domínio da classificação e que estão livres dos nossos enquadramentos. Monika Von Koss aponta que “os conceitos de feminino e masculino carregam uma infinidade de conotações e necessitam de uma revisão profunda, para que possamos reformular nossa compreensão a respeito de nós mesmos. Uma mudança profunda nos pensamentos, percepções e valores que constituem nossa visão de realidade, deve incluir uma revisão destes conceitos, que até agora foram teorizados – em sistemas filosóficos, sociais, políticos, psicológicos, médicos – para servir de suporte à hierarquia patriarcal”.

Quando entendemos isso, vamos além de gêneros, e entramos nas danças das energias e forças das polaridades, que estão presentes dentro de todos os homens e mulheres. Recriarmos novos moldes e somos livres para expressar essas energias de forma livre. Onde já não cabe mais “isso é coisa de homem” ou “isso é coisa de mulher”, mas sim, isso é natural do ser humano, isso é essencial em minha vida, isso é quem eu sou. A livre expressão. Abrindo as portas interiores para o equilíbrio interno, e futuramente, o equilíbrio externo do mundo ao nosso redor. Sem separação, mas integração. Ao entendermos que feminino e masculino fazem parte e constituem quem nós somos, realizamos o verdadeiro casamento sagrado.O sistema no qual vivemos não confere honra ao modo masculino de sentir, nem ao modo feminino de sentir. O sistema de dominação industrial determina como as coisas se passam conosco no mundo dos recursos, valores e fidelidade; que ani- mais vivem e que animais morrem, e como as crianças são criadas. E no sistema de dominação industrial não há rei nem rainha, pontua Robert Biy. Perdemos a coroa, abrimos mão do nosso trono de direito e seguimos as costas de um Rei que também está ferido. Pois, ainda citando Robert Biy, o patriarcado autêntico faz baixar o sol através do Rei Sagrado, dentro de todo homem e mulher daquela cultura; e o matriarcado autêntico faz baixar a lua, através da Rainha Sagrada, para toda mulher e todo homem daquela cultura.

Esse é meu primeiro convite para você atravessar essas véus ilusórios que só atrapalham nosso encontro com nosso ser autêntico, sem medo e com lucidez, vamos passar por diversos passos essenciais ao nosso autoconhecimento e desenvolvimento interior. Passo a passo, iremos integrando, curando e iluminando as faces do masculino em nós, e claro, do feminino junto. Porque no masculino há o feminino e no feminino há o masculino.

por Ana Paula Malagueta

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