O inverno finalmente está aqui. Tempos frios. Tempos gélidos. Tempos de recolhimento. Até porque, a vontade de entrar para dentro da caverna, bem quente, e proteger-se, é enorme. São tempos onde a natureza nos convida ou nos conduz, para dentro. Por isso é tão difícil ficar fora, por isso ela é tão dura com a gente. Porque só assim realmente nos voltamos para dentro. O inverno é um movimento de introspecção, de retração e de ausência. É um movimento de ir para dentro, ir para o centro, ir para o cerne mais profundo de nós mesmas. É a fase da caverna.

Quando o Solstício de Inverno instala-se, vem com ele também, a Bruxa-Anciã. A energia do feminino que nos pede introspecção, silêncio, solitude, recolhimento e fechamento. Ela é o final de um ciclo. Ela é a Lua Nova. Ela é o Inverno da nossa natureza interior. Onde tudo está acabando-se. Onde tudo está coberto por neve. Onde nos sentimos mais pesadas. Onde sentimos um desejo forte de estar só. É o convite da bruxa-anciã interior. O mesmo convite que recebemos quando estamos menstruando, sagrando para a Terra. Só que agora, nosso sangue se congela antes mesmo de tocar o solo. Só que agora, depositamos todas as nossas sementes na escuridão profundo da Terra, para que quando os primeiros raios de Sol da Primavera tocarem o solo, as sementes comecem seu processo e seu potencial sejam despertos.

O Inverno nos convida para realizarmos todos os nossos trabalhos internamente, para recolhermos nossos sentidos e pouparmos nossas energias físicas. É uma fase de conservação. De estocar. De manter. De usar tudo que já cultivamos até agora. Será que estamos usando tudo que aprendemos ao longo do ano até agora? Será que estamos cultivando momentos realmente nutridores em volta da nossa fogueira interior? Será que estamos conseguindo reservar momentos de profundo silêncio e conexão internas dentro das nossas cavernas? Será que tudo que agregamos até agora em minha vida interior é o que eu preciso para me manter viva e aquecida durante esse período?

É um convite a profunda reflexão. É a fase de realmente separar o joio do trigo. As pérolas de tudo que é falso. O que eu realmente quero da minha vida de tudo aquilo que não faz o menor sentido. É o mergulho no fundo de nossas almas. É sentar-se em meio ao furação das mais profundas nevascas que vem desafiar minha própria sobrevivência. Será que estou forte o suficiente para aguentar as provações da vida? Será que de fato me preparei para chegar até aqui e olhar para tudo que fiz e tudo que sou? Estou contente e satisfeita com tudo que conquistei? O que as nevascas das ilusões que criei ao meu redor estão obscurecendo a visão daquilo que realmente me faz feliz? O que está escondido por trás da camada espessa de gelo? Qual é a jóia preciosa que preciso encontrar para revelar a radiância daquilo que me move à vida?

A Bruxa-anciã é uma das facetas mais nuas e cruas que habitam em nós. Elas não escondem nada. Elas não mascaram nada. Elas são a mais pura verdade. Porque nelas, nós vemos quem verdadeiramente somos. Nelas, encontramos os desejos, anseios e sonhos mais profundos das nossas almas. O que você quer de verdade?

Convido você, para nessa abertura de inverno, para neste Solstício, para nessa presença da Bruxa-Anciã, mergulhar profundamente em seu mundo interior. Adentrar sua caverna, adentrar-se e centrar-se ao redor do seu próprio fogo, e lá encontrar todas as respostas. Ver tudo que precisa ser visto. Sentir tudo que precisa ser sentido. Ouvir tudo que você precisa saber. E permitir que a Bruxa-Anciã nos revele sabedorias que são vitais para nossa sobrevivência. Porque ninguém suporta o inverno rigoroso da alma que está distante da sua própria existência, sentada do lado de fora da caverna que a reveste. Todas as almas precisam voltar para a casa. Todas as almas, precisam voltar. A Bruxa-Anciã te chama de volta. Venha, sente-se ao seu lado na Chama Sagrada do seu interior, e aqueça-se na sua Presença e deixe-a acalentar sua alma. Nela, encontramos novamente o sentido das nossas vidas.

Salve, o sábio inverno!
Salve, a Velha!
Salve, cada Bruxa e cada Anciã!

Que possamos reaprender a nos prostrar aos seus pés e ter a humildade de pedir por ajuda, pedir conselhos, reconhecer a necessidade de ir até aquela que sabe mais do que nós. Que já viveu mais do que nós. Que já viu coisas inimagináveis. Que já passou e sobreviveu. Que tem a sabedoria necessária para nos ensinar tudo que precisamos saber para a Primavera que virá.

“Em sua caverna me encontro
Em sua Presença me revelo
Neste Inverno estou tornando-me pronta
Para na Primavera viver a vida mais Bela.”

imagem: ElementalOtherworld.com

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