É aceitar e viver a minha feminilidade. É perceber que eu sou sagrada. Que não serei menos por ser mulher. Que não serei submissa por ser mulher. Que não serei dependente dos homens por ser mulher. Que os homens não são meus inimigos e que não serei menos do que ele por ser mulher. Que as outras mulheres não são minhas inimigas, e que posso sim, abraçar tudo que elas me mostram de belo e sagrado, porque tudo isso também habita em mim.

É sacralizar a sexualidade: conectar-se para sentir seu útero e seu coração, e compreender seus desejos mais profundos, suas vontades e o que te evita. Viver de acordo com o que te é mais sagrado internamente. Viver e se relacionar com o que te faz bem, feliz e fortalece seu amor próprio. É se abrir e deixar-se penetrar e deixar entrar e liberar, de forma livre, fluída e orgânica. Sem culpas. Sem encanações. Sem dogmas. Sem certo ou errado. Permitir-se sentir. Amar. Viver. Liberar. Abrir e morrer, a cada orgasmo. A cada sangramento. A cada pequena morte, que te leva às alturas e depois te desfalece por inteira.

É sacralizar a feminilidade: É viver e honrar o feminino sagrado e todas as suas formas e representações. É abraçar e compreender que todos os aspectos da Grande Mãe ou Mãe Divina vivem dentro de nós. Que não sou apenas uma, mas sou várias ao mesmo tempo e alternadamente. É usar saia rodada. É usar penduricalhos. É fazer manha. É soltar meus cabelos e dançar sem ter ninguém para agradar. Ou dançar sedutoramente. É se cuidar, interna e externamente. É fazer coisas de mulher. Fazer comprar. Pintar as unhas e/ou os cabelos. Fazer banho de lua. Sofrer com prazer na depilação. Me vestir. Me despir. E saber como e quando fazer os dois. Me adaptar. Mutar. Recomeçar. É saber a hora certa de falar e de se calar. É abrir o coração para voz interior.

Ouvir a intuição. Ouvir as mais velhas e honrar todas as mulheres, mesmos aquelas que são mais difíceis ou diferentes de mim. Honrar as deusas e honrar o feminino em cada homem. É não ter medo de ser frágil, sabendo que por de trás da maior fragilidade, se encontrar a minha maior força. É saber chorar sem ter vergonha e rir algo, gargalhar e brincar, sempre que sentir vontade. É uivar, fazer amor, correr e pular. É lutar de forma pacífica ou determinada, quando defendo o que eu sou. O que é meu. As minhas crias, minha família e as pessoas que eu amo. É ser íntegra, nas minhas loucuras. Nas minhas oscilações. Saber que eu mudo sim, e isso é bom, porque nunca sou a mesma. É ser donzela. É ser mãe. É ser anciã. Saber que eu faço parte de uma imensa irmandade. E que sou filha da Terra. Sou filha da Lua. Vim do ventre da Grande Mãe, e que do meu ventre, vem meus projetos. Meus sonhos e os filhos do mundo.

É sacralizar a fertilidade: Reconhecer que minha terra e solo é fértil. Que a grande caverna de onde vim, é o mesmo que habita dentro de mim. De onde, carrego a honra de gerar, desenvolver, nutrir e criar. Ali, nascem meus sonhos. Meus planos. Meus desejos mais secretos. Dali eu renasço, eu morro e eu me renovo. Purifico. Sangro. Gozo. Choro e me alegro. Dali e ali pulsa a força vital. A energia feminino. Carrego a energia feminina, da shakti primordial, da qual vim e para onde vou. Germino. Broto. Floresço e Morro. Sou broto. Sou centenária. Sou o estopim dourado, que guarda os segredos. Que mantêm minha essência intacta, quando todo o resto, todas as partes de mim foram devastadas. Sou luz e sombras. Porque posso iluminar, mas posso descer nas profundezas do submundo, para me reencontrar. Gero a vida. Gero o sangue que nutre a terra. Sou a única que conhece os segredos da morte e da vida, porque passo pelos dois diversas vezes em uma única encarnação.

É sacralizar a maternidade: Eu tenho o poder, único e exclusivo de gerar. De receber a semente que irá me fecundar. De carregar, embalar, nutrir, educar e criar os futuros filhos que irão habitar a Terra. Eu sou o veículo por onde os filhos da Mãe chegam até onde vivemos. Eu sou o meio por onde tudo começa e por onde, um dia, tudo termina. Eu conheço os segredos das mulheres que gestam. Das mulheres que nutrem. Das mulheres que cantam para seus bebês e que conduzem e comandam uma família. Somos o lar. Somos o ponto de referência para onde todos se voltam. Somos as meninas que viram mulheres. Somos as mulheres que se transformam em mães. E somos as mães que viram avós, que aquecem seus lares. Que ascendem as velas. As lareiras. Os fornos e que espalham o mais delicioso aroma pelo ar. Somos perfume. Somos educadoras. Somos amantes. Somos companheiras. Somos curandeiras e somos as mãos que afagam quando você chora. Quando você sonha. Quando você sorri e até mesmo, quando você morre. Eu carrego o dom da maternidade. Eu carrego o dom de gerar um novo ser. Eu carrego o dom da vida e da morte. Eu completo o ciclo da mulher íntegra.

Imagem: Desconhecido
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