Nesta caminhada trabalhando com Empoderamento Feminino e Espiritualidade da Deusa, algumas coisas foram ficando muito claras. Todas elas, mostrando o que é necessário cultivarmos em nosso caminho, como frutas que vamos colhendo na estrada para irmos nos alimentando e armazenando forçar e colhendo sabedorias e ferramentas para conseguirmos ter tudo o necessário para realizar a jornada e chegar onde precisamos chegar.

Algumas coisas são muito necessárias. Vamos imaginar que algumas coisas precisaremos “carregar” dentro de nós e outras, guardadas bem no fundo da nossa bolsinha mágica, que deve estar à nossa disposição em nossa cintura.

  1. Você precisa entender o que é Feminismo e quais são os seus Direitos como Mulheres. É preciso pensar além do senso comum. É preciso, ao invés de ficar repetindo um discurso patriarcal, aquele que todas nós estamos habituadas e começar a refrescar a mente com conceitos que desafiem nossa normose interior. Porque é só assim que sairemos da zona de conforto e conseguiremos começar a abrir os olhos, e sair do transe que estamos. É como se estivéssemos adormecidas em um castelo que foi amaldiçoado. Precisamos desfazer esse feitiço através da nossa própria vontade interior.
  2. Precisamos começar a perder o medo do Pai e começar a libertar-se. É um passo extremamente necessário. A maioria das mulheres carrega em seu inconsciente um medo de ser castigada pelo Pai que está sentado nas alturas, olhando e computando cada um dos seus pecados. É por causa disso, ela vive (quando mal vive) com uma bola de ferro no seu tornozelo, arrastando por todos os lados. Vivendo pela metade. Ou então, chicoteando, porque dentro dela também há um Tirano, cobrando-a produção, realização e atingir coisas que na verdade não são seus desejos mais profundos. Enquanto não pararmos de ter medo desse Pai, antecipando um raio caindo sobre nossas cabeças, enquanto não pararmos de querer agradar esse Pai, que nunca estará satisfeito, enquanto não pararmos de realizar coisas que são desejos desses Pai ou do Tirano interior, nunca iremos viver de verdade.
  3. Nós precisamos de referências femininas em nossas vidas. Vejo o quão danoso pode ser para a mulheres somente ter referências masculinas em seu mundo, visto, que vivemos em um mundo que é completamente androcentrado, tudo é visto através da visão do patriarcado. E para nós mulheres, essa visão não serve. Vejo, como muda muito nossa forma de nos ver e ver o mundo quando estamos sendo expostas a mulheres incríveis, que nos mostram outras possibilidades e outras referências. Exemplo que pode parecer bobo. Mas, tanta na televisão, como no cinema e na literatura, muitas vezes, somos expostas a heróis e até mesmo, super-heróis, e a referência fica de que somos coadjuvantes ou então, os “casos amorosos” desses super-heróis. Porém, quando mudamos o canal e percebemos que há mulheres incríveis na literatura, percebemos que podemos ser protagonistas das nossas histórias e que podemos construir nossas narrativas femininas. Assim, como, quando assistimos filmes e seriados com mulheres usando seu poder, nós também nos sentimos animadas a fazer o mesmo. Hoje, temos muitos exemplos: Malévola, Fronzen, Valente e seriados como Charmed, Scandal, How to get away with Murder, Vickins, entre outros, que mostram as mulheres em outras posições e até mesmo questionando o próprio patriarcado. O que é necessário. Enquanto não enfrentamos o Patriarcado, que é a instituição do Pai, não ultrapassaremos o item 2. E não conseguiremos reconhecer essas narrativas femininas no mundo e em nossas próprias famílias e nem seremos livres DE VERDADE para criar as nossas! Porque nossas referências femininas estão maculadas pela história patriarcal, e inconscientemente carregamos o pecado e culpa de Eva e a vergonha de Madalena, a dor e repressão das bruxas queimadas e das ancestrais que sofreram caladas…entre tantas outras mulheres que ao redor do mundo continuam sofrendo violência e morrendo nas mãos de um homem ou de uma lei patriarcal, que no final só beneficia um lado dos seres humanos, e nos relegam ao “segundo sexo”, citando a incrível Simone de Beauvoir
  4. Resgatar a Espiritualidade Feminina e da Deusa é o próximo passo. O nosso referencial interior precisa agora receber novamente os estímulos das partes femininas que estiveram esquecidas dentro de nós. Nunca nos abandonaram. Sempre aqui estiveram. Agora precisamos olhar para elas novamente e como se fossemos pegando cada peça de uma quebra-cabeça, ir remontando nossa paisagem interior. Sempre imagino cada deusa como uma peça desse grande quebra-cabeça que sou eu. Cada deusa que encontro, cada deusa que entendo em mim, cada deusa que reconheço, cada deusa que acolho, é como se estivesse fazendo isso comigo mesma. E cada peça que trago para dentro de mim, faz-me ficar mais forte, mais inteira e mais íntegra.
  5. Aos poucos então, vamos restaurando o Sagrado Feminino que existe dentro de nós, o que irá nos ajudar a voltar à nossa orientação natural e essencial que é cíclica, como filhas da Terra e da Lua que somos. Essa é uma das partes mais curativas. Porque a maioria das mulheres passa a vida inteira sofrendo com seus ciclos, odiando menstruar ou até mesmo, escolhendo deixar de fazê-lo, assim como afastando-se da sua própria fertilidade porque a vincula com ter filhos, algo que muitas não querem nem sequer conceber, entre tantas outras coisas. E no final, o grande problema não é você casar, ser mãe ou menstruar, mais a forma equivocada que estávamos vendo e vivendo isso até então. O que precisa mudar é a orientação que nos conduz através dessas vivências. Ela deve ser feminina, ou seja cíclica. Nós vivemos em uma grande espiral, em um grande círculo de mulheres da Terra, e cada uma que desperta, ajuda a outra a despertar.
  6. Outro passo importante para uma mulher é a Arte do Centramento. De resgatar o habitat do seu Tempo Interior que está nas mãos de outras pessoas e sendo regida por um sacerdote masculino: patriarcal e tirano. O Templo Interior, que é o próprio corpo da mulher, precisa ser REOCUPADO e REHABITADO por Ela. Ser regido por Ela. Ser guiado pelo Feminino Profundo, enraizar-se novamente na Mãe Terra, receber a nutrição da Lua e ser regido por sua Sacerdotisa interior. É um movimento das sem-terra. Porque mulher, até então você estava sem sua própria terra. Tem que levantar a bandeira e voltar para SUA CASA!
  7. Um dos últimos passos é começar a cultivar a Arte da Mulher Autônoma. Aquela mulher que irá começar a cada vez depender menos da APROVAÇÃO e VALIDAÇÃO EXTERNA para viver. Algo que ajuda muito a viver seu ciclo e a ginecologia autônoma, ou seja, um convite para estar no seu corpo, ouvi-lo e atendê-lo. Tudo que você precisa está dentro de você. Nosso ciclo é curativo e as nossas ancestrais sabiam exatamente do que ele precisava e iam buscar a erva ideal, as palavras certas, o cuidado natural adequado, porque elas estavam em seus corpos. Outra coisa que ajuda é a alimentação viva e orgânica, ou seja, cuida do que entra neste Templo Sagrado. O feminino entende-se como parte do todo, então, eu e a natureza somos uma, e eu começo a viver como tal. Isso se estenderá para a vivência da Cosmética e Cuidados Naturais Autônomos, onde eu sei fazer meus próprios produtos para cuidados naturais e eles estão em sintonia com a natureza porque dela provêm. Assim como eu me cuido com todo amor e atenção que mereço, por mim e para mim mesma. Por isso, é essencial ter práticas diárias de conexão com seu corpo, como um Yoga, por exemplo, que é uma das práticas milenares mais incríveis que irão nos ajudar na prática a cultivar nossa AUTOSSUFICIÊNCIA, que é algo que ouço desde minhas primeiras práticas de yoga no ano 2000. E mulher, nós precisamos ser autossuficientes se nosso desejo é sermos livres das jaulas que o patriarcado criou dentro de nós e se desejarmos nos apoderar das nossas asas. Elas são suas! Seu corpo é seu por direito! As deusas estão em nós. E a Espiritualidade Feminina é nosso legado ancestral. Você pode ser heroina e protagonista da sua história e a autonomia é a senha para apoderar-se da sua Soberania uma vez mais. E não se esqueça, que estamos juntas!

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