Quando falamos de feminino, falamos necessariamente de ciclicidade, de estações e da eterna espiral que gira e gira sem parar. Muito similar a carta da Roda da Fortuna do tarô, pois estamos em constante movimento, sem nunca ficarmos parada no mesmo lugar. Podemos imaginar um grande círculo, e nos colocarmos dentro do seu movimento e notarmos que às vezes estamos embaixo, às vezes estamos em cim, e tantas outras vezes, estamos transitando de um lugar para o outro. Este espaço é conhecido como o “limiar de todas as coisas”, os espaços onde há suspensão, onde há o breu e onde nós mulheres nos encontramos com um pé aqui e outro quase acolá.

Ritos de passagens existem dentro dos nossos corpos quando experimentamos a menarca, a primeira relação sexual, a gestação, o útero laborioso no parto, a maternidade, a menopausa e claro, a morte. Todos estes ritos femininos, acontecem dentro de uma mulher, talvez todos, talvez somente alguns. Porém, os Grandes Ritos estão à nossa disposição o tempo todo. É neste ponto que todas nós nos encontramos agora. Com um pé ainda em 2015, no que já está deixando de existir, e prontas para abrir a porta de um 2016 desconhecido que virá, que começará e que trará coisas que ainda não sei quais são. Por isso, desejamos tanto, planejar, esperançar e colocar planos para o que ainda não conhecemos, dá uma leve sensação de controle. Porém, se tem algo que aconselho a todas as mulheres aprenderem a lidar, é com o descontrole.

Porque descontrolar-se não é enlouquecer ou perder as rédeas das coisas, não precisa ser necessariamente assim. Descontrole é abrir mão de querer que as coisas sigam por um trilha pré-formatada o tempo todo, sem permitir que adentre em nossas vidas o fluxo natural do novo, daquilo que desconheço, daquilo que traz flexibilidade, daquilo que a fluidez, que traz aquilo que eu preciso receber em minha vida. Porque quando estamos tentando o tempo todo ficar sobre controle de absolutamente tudo, não permitimos ou melhor, não abrimos espaço para que a vida nos presenteie com as recompensas do que viemos plantando até então, com aquelas pessoas e/ou experiências que são necessárias para nosso bem-mais-elevado, com os momentos sincrônicos da vida. Que são os encontros e/ou momentos soltos ao acaso. Esses só vem quando eu também estou solta.

Veja bem, isso não quer dizer que não devemos planejar, de que não devemos colocar nossos sonhos e desejos em prática ou até mesmo que não devemos fazer listas e esboços da vida que construo e que aspiro. Mas, que em meio disso tudo, preciso também criar espaço para a espontaneidade. Sim, o feminino é muito assim também. Porque são nos momentos de ócio, de pausa e de deixar acontecer, que a verdadeira e mais profunda criatividade acontece. Que a vida brota. Que momentos inesquecíveis acontecem.

É isso que eu desejo para todas. Mais momentos em que eu possa apenas pegar uma carona na Roda da Vida. Às vezes estou em cima. Às vezes estou em baixo. Às vezes também é bom não saber onde está! Entender que tudo muda sempre. Que os planos podem tomar um caminho diferente. Que sonhos podem ser alcançados, para de repente, nos levar a outros sonhos que você não sabia ter. Que os recomeços não são para você perder algo, mas sim, para somar mais coisas novas a sua vida. Porque o feminino é movimento. É mudança. É mutabilidade. É o caos desordenado dentro da perfeita ordem da vida e da natureza, que mesmo caótico é perfeitamente organizado.

Que possamos sempre estar prontas para a renovação. Como por tantas décadas, até mesmo antes do que conhecemos como realidade, mas que está em nosso registro akáshiko, de outras vidas, a presença da eterna Roda da Vida, onde eu permito que a morte aconteça para que possa engravidar-me novamente e dar a luz a um todo novo porvir. Ao desconhecido que dá vida, que dá luz, que dá movimento.

Abra-se as infinitas possibilidades. Ao útero criativo e poderoso que é capaz de muito mais do que você imagina ou sequer poderia um dia planejar! Abra-se para agradecer por cada coisas – grande ou pequena – que aconteceu na sua vida até esta etapa da caminhada. Esvazie sua mochila, para que a caminhada seja mais leve! Agradeça também por tudo que doeu, por tudo que rompeu, por tudo que destruiu um pouco do seu teto de cristal ou que fez evaporar um sonho tão bonito. Porque isso faz com que você mostre que tem confiança na Divina Mãe. Que entende como ela funciona. Que sabe que quando perco, algo ganho. Que quando morre, algo nasce. Que quando deixo para trás, algo se abre adiante.

Que aos fecharmos às portas do ano que se encerra, lembre-mos que uma Primavera Mítica logo mais adiante encontrarei na minha estrada da vida. Que nesta estrada, irei caminhar por onde preciso ir, para onde preciso estar e recebendo e oferecendo exatamente o que é necessário.

Renovação. Recomeços e Reinícios, porque a Roda da Vida nunca pára, graças a Deusa, já que tudo para o útero dela volta e toda a criação do útero dela vem. Confie nesta conexão ancestral. Confie nesta guiança. Confie mais na vida. Seja a heróina da sua própria vida e protagonista da sua história. Co-criando com o grande Ventre Celestial e que assim seja!

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