Eu sempre fui chamada de rebelde na minha família. Como eu era muito próxima a minha avó materna, eu e ela, éramos as duas rebeldes da família. Eu gostava. Porque é a mais pura verdade. Eu sempre falei o que pensava e era reprendida por isso. Lembro do meu tio chegando para almoçar à casa da minha avó, dizendo: Serve! E do meu avô ficar esperando ser servido. E lembro de dizer ao meu tio: Sua mão vai cair se você for lá se servir? E claro, ele rindo da minha cara. Porque a idiota era eu, por ficar falando essas coisas…era a sem-educação. Eu, né?!

Pois bem….eu converso muito sobre empoderamento com minhas alunas, e parte de empoderar-se é questionar, refletir e ter um olhar crítico sobre as coisas. Porque se eu não tomo consciência delas, será muito difícil fazer um movimento de mudança. E a grande questão a ser discutida é os relacionamentos de parceria. Porque, como digo para elas, dá-me arrepios ouvir uma mulher dizer que tem dois filhos em casa para cuidar (sendo que um deles é o marido). Por favor, todos os homens (sim, eles já são homens) só tiveram uma mãe na vida, e ela não é você! É péssimo essa tendência de infantilizar os homens. Como eles vão crescer se são tratados como crianças mimadas em casa, esperando que tudo venham até eles? Eles não são meninos indefesos, não são seres incapazes, não são reis! São adultos. Ou pelo menos, deveriam ser. Por isso, sempre digo que mães ficarem tratando seus marmanjos como menininhos não faz bem para ninguém, nem para eles e nem para a sociedade. Mulheres ficarem tratando seus maridos/namorados como filhos, também não faz bem a ninguém. Esses marmanjos tem que saber se virar.

Precisamos de pessoas com autonomia, com autossuficiência e maturidade. Viver faz isso. Deixá-las se virar e encontrar meio e solução para as coisas faz isso. Não só no escritório e na carreira, mas na família e no relacionamento afetivo também. A vida é complexa e precisa que passemos por tudo para crescermos e se colocamos esses seres em uma bolha para sempre, não estamos ajudando, por mais que acabemos fazendo isso, sim, por amor. É imaturidade querer que o outro seja do jeito que você quer ou fazer só o que te agrada. Imaturidade é não deixar ou “segurar” a outra pessoa em ser e expressar quem ela é. Imaturidade é não conseguir conviver com as diferenças e partir para as violências físicas, verbais e psicológicas para segurar um relacionamento. Imaturidade é achar que o mundo gira ao seu redor. Imaturidade e machismo é viver só você fazendo o que quer e o outro aprisionado.

Sempre pensei que as pessoas que moram em uma determinada casa, TODAS ELAS, são responsáveis por tudo. Inclusive os filhos. Todos tem que aprender a realizar TODAS AS TAREFAS, porque isso é o que precisa ser feito. Outra coisa que não podemos usar, é que o pai está ajudando a cuidar do filho, olha só como ele troca faldra etc…Olha só como ele me ajuda lavando louça. Ele não está ajudando, como se fosse uma obrigação ou fazer que estivesse fazendo. A criação dos filhos é obrigação dos dois. Cuidar das responsabilidades e rotina da casa é responsabilidade dos dois e dos filhos também, quando já puderem realizar alguma tarefa. É responsabilidade. É maturidade. É a vida! Não tem que ganhar prêmio, não tem que ser afagado na cabeça, tem que fazer e pronto. Uma vida de parceria é assim. Cada um faz sua parte para ajudar o todo. Nem mais nem menos. Todo mundo se ajuda. É claro, que isso não impede em nada das pessoas fazerem gentilezas umas as outras! Mas, aí, é outro papo!

Se desejamos um relacionamento de parceria, precisamos nos ver como dois adultos. Sim, cada um com sua bagagem, mas cada um ser único e individual. Que está partilhando uma vida e tudo que nela contêm. É importante conseguir ter um diálogo aberto, colocar suas necessidades adequadamente, praticar a comunicação não-violenta, cultivar seu espaço pessoal e individualidade, e saber trazê-la para o convívio em conjunto. Ninguém está disputando forças. Uma coisa que nunca gostei e aquele papo que quem tem a última palavra é a mulher. Nunca achei isso muito feminista, não! Afinal, eu não quero um bando de gente fazendo a minha vontade. Eu quero poder discutir as coisas e tomar decisões em comum. Eu não quero alguém abaixando a cabeça para mim. Relacionamento ao meu ver, não é uma disputa de força, onde vence quem tem mais poder. Ou a mulher se submete ou então o homem se submete (com medo da mulher). Por que não pode ser uma democracia? Por que não podemos ouvir os lados e tomar uma decisão que seja melhor para todos? Qual o problema nisso? Por que sempre alguém tem que vencer?

É claro que tem momentos que alguém tem que ceder. Outros que alguém tem que aprender a ouvir. Outros em que alguém tem que aprender a se comunicar melhor. Mas, chega desses papéis obrigatórios e subentendidos. Como se a mulher tivesse sempre que ser a empregada e a mãe de todo mundo o tempo todo. Por que todo mundo não pode simplesmente ser quem é e acabou? Dividir as tarefas mas de comum acordo. Não dá mais para viver em uma sociedade onde o homem não pode ser questionado e ainda fica esperando ser servido o tempo todo (inclusive na cama, né?!) e a mulher não poder nada. E ao mesmo tempo que não pode nada, ainda tem a última palavra? Isso é meu twilight zone, ou sou eu que sou louca?

Temos que abrir uma ponte de comunicação para curar essas relacionamentos. Todos nós temos desejos e necessidades. Temos nossas manias e rotinas. Mas, não dá para cair na normose do relacionamento patriarcal que já não funciona mais. Tem que haver comunicação, divisão de tarefas e compartilhamento de vida. Ainda mais, quando tem-se filhos para educar, dar exemplo e criar em um molde livre e onde sagrado masculino e feminino estão em harmonia. Os dois tem voz. Os dois tem presença. Os dois são adultos de verdade. A maturidade vem no momento em que assumimos que estamos seguindo um protocolo ultrapassado e que precisa ser revisto. Relacionamentos não precisam ser todos iguais. Mulher faz isso e age assim, homem faz isso e age assado. Porque aí caímos no ditado de “ah, mas todo homem é assim”. Por quê? Eu não acredito nisso. Não acredito que eles sejam só isso, não. Assim, como não acredito que nós precisamos ser do jeito que dizem que precisamos ser.

Eu sempre questionei, porque sempre fiquei à vontade com o que sou. Eu sempre achei normal todo mundo fazer tudo e o que quiser, sem ter que ser obrigado só por causa do meu gênero. Acho isso bem ridículo para falar a verdade. Porque além dessas roupa e do sexo, somos seres humanos e temos muito mais potencialidades e capacidades do que tudo isso que nos limita. O patriarcado não me representa. Nunca me representou. E não são seus protocolos que estão em voga na minha casa e nunca estarão. Eu sou livre e quero que você seja também. Que vocês todos encontrem nas suas casas a forma mais autêntica, orgânica e natural de viverem. Em comunidade, como uma tribo e de forma circular. Todo mundo é igual. Esse é meu desejo e essa é a reflexão de hoje!

Namaste!
Blessed Be!

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