Sabe, ontem estava conversando com minhas alunas grávidas sobre parto e sexualidade. Sobre como está tudo interligado em um único fio….onde um começa o outro termina e onde o outro termina algo começa…
 
Foi então, que me dei conta, que realmente entendi o que era sexualidade feminina quando comecei a acompanhar parto. Entendi o que era uma mulher sexual, sensualidade em diversos níveis, os lados emocionais e viscerais da sexualidade, o que era uma mulher selvagem e também o que de fato é intimidade consigo mesma e compartilhada.
 
Um novo mundo se abriu…acompanhar parto, era como estar no quarto e às vezes, na cama com aquele casal….presenciando algo tão sagrado que era impossível mensurar…apenas, agradecer pela honra com a qual fui agraciada.
 
Porém, vi também, o quanto da nossa sexualidade é podada, o quanto mal vivenciamos a nossa sexualidade, como ela ainda vem tingida de culpa, punição, violência, repressão e um abismo enorme entre mulheres e elas mesmas, entre casais…o quanto não usufruímos da sexualidade ou sequer vivemos ela de forma autêntica e natural.
Eu presenciei os dois lados e pude começar a olhar para isso…com outras mulheres nos trabalhos que faço e comigo mesma.
 
Observar todas as dinâmicas que vão criando filtros que geram pouco ou quase nenhum contato com a sexualidade ou que a levam para os excessos e quase uma autodestruição…
 
Estamos em uma dinâmica de luz e sombras com a sexualidade. Vivemos em um mundo que diz que somos sexualmente livres, mas que nos mostram que somos livres somente dentro do espaço que nos deram. Lembro quando li isso em um dos livros da Maureen Murdock e como me chocou porque sempre achei isso também. É uma grande mentira a liberdade, porque estamos agindo e fazendo exatamente o que o patriarcado quer. Continuamos rebolando na cara do patriarcado, exatamente como eles querem….continuamos parindo com dor, exatamente como foi dito a Eva na Bíblia….continuamos punindo e apontando o dedo para as mulheres que ousam, chamando-as de vagabunda e expulsando-as do círculo feminino, assim como foi feito com Lilith….e assim vai…os fios desfiados vão sendo puxados de dentro de nós….formando um emaranhado que nos sufoca, limita e apaga.
 
Nossa sexualidade ainda está enjaulada….mas, já buscando seu autodespertar. Porque é um encontro interno. Com seus poderes. Com suas dinâmicas. Com seus espaços sagrados espalhados pela imensidão que é seu próprio corpo – externo e interno.
 
É uma jornada heróica de exploração.
É uma jornada heróica de conhecer uma nova terra e seu povo.
É uma jornada heróica de reivindicar seu trono e seu reino.
É uma jornada heróica de ruptura do patriarcado para adentrarmos novamente as Tendas Vermelhas de Mulheres onde esses Mistérios eram compartilhados e resgatar os espaços sagrados onde podemos libertar nossa sexualidade por nós, para nós e dentro de nós…antes de tudo e qualquer coisa.
 
Algumas coisas valem muito a pena, para nos ajudar a pensar, questionar, discernir entre de fato o que é uma sexualidade saudável e minha daquelas manifestações e vivencias que estão muito distante do que de fato é sua expressão natural.
Você pode assistir o vídeo onde estou aprofundando nesta temática com a amiga Melissa Setubal, onde falamos sobre A SEXUALIDADE E FERTILIDADE FEMININA.
E você também pode assistir ao Ted da maravilhosa Naoli Vinaver, uma parteira mexicana, onde ela fala sobre o tema, parto, sexualidade e mulheres.
E assim, vamos começar a quebrar tudo aquilo que nos embrutece e cria barreiras entre nós mulheres e a nossa sexualidade, além de começarmos a cortar as ervas-daninhas que vem do paradigma patriarcal e cortas os laços que ainda fazem com que haja um domínio deles sobre a sexualidade que é NOSSA!

Imagem: desconhecida
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