Talvez você não saiba, mais eu escrevo desde muito pequenina. Tenha pequenos filetes de papéis guardados, com caligrafia de criança com singelas rimas. Muito provavelmente, inspiradas pelo meu avô materno que era poeta além de pizzaiolo. Eu sempre escrevi. Escrever para mim vai junto com respirar. Faz parte do meu organismo. Parte de quem EU SOU. Nas palavras em me torno, eu me revelo, eu me integro, eu tomo consciência dos processos vitais.

No colégio, tenho uma lembrança muito forte e vivida da minha professora de português mais amada de toda história, Suely Tiburcio, tendo a paciência de ler minhas poesias, criticá-las sem nunca desvalidá-las, pelo contrário, ela me incentivou a seguir em frente. E isso me marcou para sempre. Por isso, foi mais emocionante, quando anos atrás, tive a oportunidade de doular o parto da filha dela, com ela junto. Doulamos juntas e a vida se fez poesia naquele momento.

Na minha primeira faculdade, de publicidade, tive a honrar de lançar na mesma época em que meu avô, meu primeiro livro de poesias: Pensamentos Soltos no Ar….foi tão emocionante…guardo essa época com muito carinho no coração. A professora Suely continuava viva em mim.

Foi por causa dela também que decidi fazer faculdade de Letras, depois de uma faculdade de publicidade frustrada, onde não encontrei muita vazão para minhas palavras. Foi importante, mas não era o que minha alma precisava. Na Unibero, encontrei professores como o José Garcez, que fez minha alma voar com suas aulas sobres Shakespere, Jane Austen, Wilde, Poe, Dickens, Byron, Faulkner, Keats, Woolf, Milton, Chaucer and Shaw…e a lista vai longe. Eu sentia que me esparramava e me derramava cada dia que estava por aquelas paredes. Era como se meu cálice estivesse tão completo que cada gota que bebia, se multiplicava em oceanos.

Foi então, que pude sair do mundo poético e adentrar a escrita livre e viva, como gosto de entender, quando escrevi um texto pela primeira vez, para o site yoga.pro.br. Foi por causa do meu amado professor de yoga, Pedro Kupfer, que as barreiras que me separavam de mim mesma, se romperam, para todo o sempre. E foram muitos textos atrás do outro. E consegui colocar coisas para fora, processar eventos da minha vida, pesquisar e concretizar conhecimento, chegar até o outro.

Tudo foi apenas aumentando em dimensão, quando comecei a escrever compulsivamente e intensamente para o yogaway.com. Colocando os conhecimentos que aprendi na formação na Gemini legendando vídeos, escrevendo artigos diversos, estruturando conhecimentos de uma vida todo de yoga. Foi um aprendizado incrível e fez com que fosse estruturando minhas escrita para que ela se tornasse ainda mais livre, foi acreditando mais e mais que eu conseguia fazer isso e que a comunicação era a substância mais importante para mim. Minha escrita começou a voar…o céu não era mais o limite.

Neste meio tempo, foi surgindo o Devi Shala e lá minha alma se assentou em sua morada. Na Casa da Deusa, que é minha inspiração. Minha escrita encontrou um viés onde conseguia alcançar as pessoas, levar conhecimentos vitais as mulheres de todos os lugares, questionar, clarear, enfrentar, relevar, destruir, dissolver, acalentar, ressoar e alcançar…a escrita é uma mão invisível que chega até o outro. É um olho que faz revelar aquilo que estava oculto em nossos corações. A escrita nos deixa nus. É conforto mas também incomoda. Porque nas palavras temos significados e revelações, entendimento e constelações.

E essa escrita passou por muito chão, por muita história para chegar onde está hoje. E eu sei, que ela me mantêm viva, porque ao final, somos uma coisa só.

Eu sou grata a todos os professores que alimentaram a minha alma, fizeram-me confiar nos meus talentos e me deram toda a nutrição, impulso, ferramentas e puxões de orelha necessários para seguir adiante e estar onde eu estou. A todos os professores da vida e aos professores da alma. Vocês estão na minha escrita e através dela voamos juntos!

Imagem: desconhecido
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