A algo em comum entre as mulheres e este algo é a solidão. Muitas já se sentiram sozinhas, muitas ainda sentem-se e outras tantas, ainda irão ser pegas pelas garras da solidão. A solidão feminina é um efeito colateral do paradigma patriarcal, onde as mulheres são isoladas. Isso acontece todas as vezes que não temos nossos sentimentos validados e reconhecidos; quando temos nossas vozes silenciadas; quando estamos ilhadas nos núcleos familiares e ressequidas, sem visco, sem tesão e sem expressão; quando não temos modelos aos quais seguir; quando rompemos e negamos as nossas raízes; quando seguimos vivendo como Filhas do Patriarcado e esquecemos de onde viemos.

Muitas já chegaram até a mim com esse sentimento. Sentiam-se encurraladas em diversos papéis que não as satisfaziam e que nunca quiseram fazer; sentiam-se sozinhas sem apoio da família ou dos companheiros; sobrecarregadas com trabalho, com afazeres da casa (que cabiam somente a elas) e com os filhos, que estavam sobre sua total responsabilidade, sem ter apoio ou participação compartilhada dos pais, entre tantas outras coisas. Dentre todas as queixas, desde sensação de vazio, irritabilidade constante, não sentir-se merecedora ou ser o suficiente, até quadros de depressão, pânico, não se encaixar em lugar algo, não ser compreendida, ser sempre chamada de louca ou vítimas de violência, etc…etc…etc…o que eu fui encontrando em comum era a imensa solidão feminina….

Sem apoio.
Sem rede.
Sem pertencimento.
Sem compreensão.
Sem voz.
Sem ação.
Sem vida.
Sem ser quem verdadeiramente era…por x circunstância da vida, da sociedade e da ancestralidade.

São décadas ou melhor, séculos de solidão feminina. É um tema que sempre vi recorrente na literatura, nos meus tempos de faculdade. Entre todas as minhas escritoras favoritas e mais impactantes da história, temos mulheres, como protagonistas ou coadjuvantes, que não puderam viver o amor que queriam, que viviam isoladas em um lar que as sufocavam, em um casamento que não era do seu desejo, em uma vida sem expressão. Mulheres, que quando resolviam ir atrás de um pedaço de si, eram chamadas de loucas, histéricas, vagabundas, inconsequentes, irresponsáveis…entre tantos outros rótulos, todos, a partir do ponto de vista da mulher através dos olhos patriarcais. E neste meio tempo, de uma época em que as mulheres viviam plenamente e em plenitude até os dias de hoje, em profunda solidão, temos algumas coisas em comum.

A falta e distanciamento da própria ancestralidade feminina.
A falta ou excesso de modelos feminino pautados na crença patriarcal
A separação e inimizade na qual as mulheres vivem
O isolamento ao qual a sociedade as limitam sejam nos lares, nos trabalhos em em cargos sociais, políticos etc.
A falta de direitos sobre o próprio corpo
A falta de ser iniciada em ritos de passagem e entendimentos da sua própria natureza
O distanciamento e separação da natureza e de tudo que é feminino em essência.

É vital que resgatemos os Saberes Femininos, separados e através da visão feminina e não mais patriarcal. Para que as mulheres voltem a fincar suas raízes em sua própria ancestralidade que as foi negada e tirada delas a força (caça as bruxas, erradicação da tradição da deusa e substituição pela do pai, deusas e aspectos do feminino que foram jogados a obscuridade etc…) e voltar a fincar suas raízes na Terra e restaurar a conexão com a NATUREZA QUE É NOSSA PRÓPRIA NATUREZA.

Assim, como também, voltar a viver sendo guiadas, nutridas e fortalecidas por sua própria natureza cíclica, pelas fases da lua, banhadas pelas diferentes energias e aspectos do feminino, ir atrás da sua história, para entender o que aconteceu com nossas mulheres ao longo do tempo, resgatar as histórias e vozes das mulheres que participaram de momentos de importante conquista para todas nós, e inclusive, daquelas que ninguém nunca soube ou sequer ouviu falar, começar a olhar e buscar modelos mais coerentes do feminino, mas fortalecidos e despertos, começar a questionar e estudar para trazer clareza e começar a despertar…para o feminino, para a deusa e para outras mulheres, e perceber que a forma que vivemos e vemos umas as outras não é o nosso natural. Ele vem da dor da separação do Grande Feminino ou da Deusa.

Da solidão que veio dessa dor, por sermos separadas de nós mesmas e de outras mulheres. Por viver uma vida, muitas vezes pautada em uma busca que nunca irá nutrir o vazio que corrói nossa alma feminina.

Nesta Aula 2, do Curso Online do Programa A Mulher Cíclica, irei falar em extenso sobre o Resgate dos Saberes Femininos, da nossa ciclicidade, natureza essencial e inata feminina e a partir daqui, começarmos a fazer parte novamente da nossa ancestralidade feminina que é nosso LEGADO POR DIREITO! E temos que REIVINDICÁ-LO!

Você também pode se juntar a esse círculo de mulheres online e começar a despertar, a ser ouvida e ouvir a si mesma, assim, OUVIRÁ A VOZ DAS SUAS ANCESTRAIS QUE FALAM PELO SEU CORPO, SEU CICLO, SUAS EMOÇÕES, SEUS PENSAMENTOS O TEMPO TODO COM VOCÊ. E voltará a HONRAR O FEMININO E TODAS AS MULHERES.

Você também pode assistir mais sobre o tema no youtube uma conversa mais aprofundada: https://www.youtube.com/watch?v=UQwdwEcXcMQ

Imagem: Sharon Cummings
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