Faço várias limpezas para doação ao longo do ano. Tornando-se cada vez mais frequente o abrir espaços nos meus armários. Isso sempre aconteceu, mas ficou mais intenso por um único motivo: eu me tornei mais eu mesma. Hoje, chego até vocês para trazer a reflexão da Lua que Mingua em nós. Nos momentos em que estamos nos preparando para menstruar e também quando a lua está apenas um filete no céu, para fazer sua mágica de desaparecimento por um breve período na lua nova. O convite é olhar essas limpezas de forma diferente: aproveitando o olhar crítico da Feiticeira em nós para realmente ver: Isso aqui sou eu?

Eu nunca fui de seguir moda. Aliás, todas as vezes que minha mãe me dava um presente dizendo que era porque estava na moda, eu retrucava: Eu eu com isso? A moda tem que ser minha e não o que dizem por aí. Sim, eu sou bem cric-cric. Sim, eu tenho Urano na minha Casa 1 em Sagitário. Então, como minha avó dizia: Somos rebeldes. A-D-O-R-O.

Cortando em miúdos, olhe para cada peça de roupa e pergunte: Quem escolheu isso? Quantas vezes eu já usei isso? Se nunca usei, por quê? Se usei muito e demais, foi porque eu gosto e sinto-me bem ou por que alguém gosta? O que essa peça de roupa diz sobre você? Essa é uma das perguntas cruciais….meu armário vai tornando-se mais leve, conforme vejo e deixo ir tudo aquilo que não sou eu. Primeiro, temos que nos vestir para nós mesmas, para nos agradar, nos acariciar, nos celebrar e depois, para compartilhar QUEM EU SOU com os demais e o mundo todo.

Pois, bem: Quanto de você está de fato compartilhando e mostrando ao mundo através das suas roupas? Esse exterior reflete quem você verdadeiramente é? Senão, por quê? Esconde ou desvia a atenção com um personagem? Vamos refletindo…tudo aí, desde roupas íntimas às bijuterias deveriam ser você, apenas você. E isso já deveria ser tudo.

Por que deixamos de nos agradar tanto? Na maioria das vezes, pensamos que só porque vamos as lojas e gastamos feito loucas, que estamos nos agradando, quando na verdade, na maioria das vezes, esse não é o caso. Muitas compram loucamente para suprir uma falta. Muitas ficam obsessivas por conta da pressão social. Muitas compram, compram e compram, mas nunca estão felizes com suas escolhas. Por que será?

Vamos mais fundo…não são apenas roupas, sapatos e acessórios. São aquilo que você quer passar, transmitir e compartilhar com os demais. Então, o que falta? Porque de fato, não precisamos de tantas roupas e “coisas” para nos mostrar. Muitas vezes, o pouco já revela muito. Muitas vezes, um detalhe entrega todo o jogo. E muito mais do que ficar nos afundando em dívidas, devemos nos afundar em nós mesmas. Em percebermos que para nos colocar no mundo não precisamos de muito. Que podemos ser mais generosas com a vida, doando e recebendo, sem nunca ficar retendo, porque talvez um dia, eu precise de tal coisa, que você sabe que nunca irá usar. Tudo tem sua hora certa. O feminino é a plena abundância, mas também é a mais profunda generosidade. O feminino é a busca por si mesma, pelo empoderar-se de si mesma. Tornar-se forte para conseguir distinguir entre o que sou eu e o que são os outros. Isso ressoa comigo. Isso não. E ter força para assumir e bancar essas decisões.

O que acontece, em alguns casos, é que preferimos ser outras pessoas do que ser nós mesmas, porque se misturar e perder-se na multidão é muito mais fácil do que destacar-se. Ou, tão anestesiadas estamos com a mídia e as etiquetas que colocam para nós mulheres, que acabamos indo para tão longe de nós mesmas, que já nem sabemos qual é de verdade nossos gostos e desejos.

O feminino hoje te convida para olhar para tudo que você tem e buscar aquilo que é suficiente. Porque quando um tem demais, necessariamente, um tem de menos. O feminino são as asas que acolhem todos. Que te mantêm bem protegidas até poder voar por si só. Então, veja se suas roupas não estão sufocando suas asas! Se suas roupas não estão esmagando e apertando sua alma! Se seus sapatos não estão impedindo-a de voar. E se ao olhar-se ao espelho você vê o brilho e extensão da sua própria alma. Você gosta do que vê? Quem você vê?

Mingue para bem longe de você tudo aquilo que não é você. Tudo que é fake, precisa ir embora e encontrar sua dona. Abra-se para a verdade. Eu acredito em você. Eu acredito que dentro e lá no fundo, há tudo que você precisa para bancar quem você verdadeiramente é.

Namaste!

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