Hoje, damos continuidade a série que iniciamos semana passada, para ajudar as mulheres em todos os lugares deste lindo mundo azul, a conectar-se com o Sagrado Feminino. Como estamos adentrando o período de festas de final de ano e celebrações, senti há necessidade de tornar este encontro ainda mais especial. Resgatando uma tradição há tempos esquecida.

Antes mesmo de existir o Natal como hoje conhecemos, neste formato e intenção, havíamos celebrações que honrando neste mesmo período a mãe que dava luz à criança divina. Era uma festa que cultuava o poder de gestar e parir do feminino, em sua plenitude e potencial fértil. Aquela que ficava responsável por trazer à luz, à esperança e o novo. A mãe era cultuada com fervor. O poder da nutrição, da vida, da abundância, de um todo novo porvir. As esperanças eram renovadas. A vida botava fim à escuridão. A escasez não aterrorizava mais. O decaimento abria espaço para tudo que começava a crescer e nascer do ventre da mãe.

O potencial feminino era lembrado. Há fonte da criação era honrada. A mãe era sagrada. Por isso, convido todas vocês a lembrar dela nessa época. Da fonte. De onde tudo começa. Da escuridão que traz à luz. Do feminino que nos entrega a criança iluminada. Dela, porque sem ela, nada disso viria a ser. Nada disso seria possível. Nada disso de fato existiria ou sequer sustentaria-se. Porque é do seu seio sagrado que também escorre e constrói-se a própria via láctea. A nossa nutrição eterna, que escorre em rios, através das sementes da terra e das relações do mundo.

Que paremos um momento para honrar a Mãe, aqui, hoje, como chegou até a nós, através dos Mistérios Marianos. Ligando com todas as deusas e forças do feminino que a antecederam. De Ísis que deu luz à Hórus, por exemplo. Que lembremos de Maria. Da sua força. Do seu amor. Do seus mistérios. Da oração sagrada que sai da boca das avós e das mulheres que se juntam em procissão ao seu nome. Por todas nós. Orando por nós, suas filhas. Livre de máculas e protegida por seu mando profundo azul. Nós que carregamos em nossos ventres o potencial da criação e em nossos corações o mesmo amor que ela dedicou ao seu filho, para que compartilhemos com todos. Que possamos nestas festas, reavivar o senso de comunidade e de uma vida circular. Abrindo espaço para ouvir histórias das mulheres das nossas famílias, acolhendo cada problema e cada conquista. Que possamos nos ajudar. Ficar mais juntas ao redor do fogo da cozinha. Compartilhar segredos nos quartos e na calada da noite. Que possamos nos lembrar do poder que as mulheres juntas têm, e que estamos ligadas por algo muito mais do que nós mesmas. Somos todas nós parte dos Mistérios de Marianos, quando oramos juntas, quando rimos juntas, quando choramos juntas e quando abrimos as portas dos nossos corações para de fato estar inteira onde precisamos estar seja no dia de natal, seja em todos os demais dias de nossas vidas. Que façamos conexões verdadeiras, porque atrás de todo conflito e afastamento, há a mão de Maria estendida para nós. Aceite-a e veja como o instante sagrada se torna realidade. Somos todas Maria. Que assim seja, mulheres abençoadas.

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