Quando negligenciamos as nossas necessidades femininas, vamos gradativamente, colocando uma grande muralha ao nosso redor. Vamos tornando o campo que nos adorna mais árido, sem cor e vida. Afastamo-nos das energias femininas em nós, das deusas, dos ciclos, da própria terra que deixa de ter um jardim florido. Conforme vamos negligenciando nossas necessidades como mulheres, vamos abrindo as portas para o adoecimento e surgimento de doenças no corpo físico, que é a parte mais densa do nosso ser e que tentará de forma palpável, mostrar-nos tudo aquilo que está de errado ou desarmônico em nosso interior. Quando há um comportamento viciado em cozinhar, limpar e obsessivamente atender às necessidades alheias as minhas, com a intenção de “ganhar” amor, ou quando há um comportamento viciado em trabalho, tornando-se workaholic, buscando obsessivamente atender suas obrigações e “provar” seu valor ou ficar em busca de “aprovação” constante, principalmente de chefes homens ou figuras masculinas (que lembrar a figura paterna) ou até mesmo, quando há um comportamento viciado em “proporcionar” prazer através de sexo excessivo – principalmente quando não há vontade verdadeira ou apenas por obrigação, culpa ou “manter” o relacionamento e “evitar” uma traição – e controle da relação ou atenção exagerada, que mantêm as rédeas curtas. Podemos abrir nosso interior para algumas doenças femininas, como nos órgãos sexuais, tanto útero e ovários, quanto nossos seios.

Estes dois pontos principais, que estão perfeitamente ligados por um canal energético que vai do coração ao útero e do útero ao coração, são chamados ambos de coração. Sendo que o útero seria o coração inferior, ligado com as parcelas femininas mais instintivas e sabedoria das entranhas, além de ser todo nosso mais profundo potencial e “guardar” as habilidades criativas, férteis, sensualidade e sexualidade, habilidades de relacionamento e envolvimento, e também com o quanto nos sentimos “preenchidas”, assim como o coração no espaço entre os seios, guarda nossas habilidades de conexão de coração para coração, sentimentos profundos, empatia, compaixão, capacidade de amar e deixar-se amar e sentir-se profundamente em sua expressão.

Através deste grande caldeirão dos nossos sonhos, que é o depositário das sementes da fertilidade – que vêm dos ovários – e da gestação das nossas criatividades mais profundas que tornam real nossos sonhos e desejos, poderemos em nossos corações, expandir e trazê-los para o mundo através do ventre laborioso e do coração caridoso e amoroso que pensa em si e em toda a humanidade.

Porém, quando a fundação do senso de ser de uma mulher e conexão com a fonte primeva – Terra – sensação de segurança e pertencimento (primeiro chakra), a qualidade das suas relações (segundo chakra) e a capacidade de expressar-se emocionalmente, habilidade de ofertar amor e nutrição e também recebê-las estão em desarmonia, começa-se a acumular o vazio da falta de tudo isso ou retenção pela incapacidade do bom-uso de todas essas habilidades. Como expressa Christiane Northrup: “Todas as disfunções energéticas geralmente surgem quando a mulher está confusa em como usar ambas as suas energias amorosas (quarto chakra) e suas energias criativas (segundo chakra) optimamente.”

Muitas dessas questões e grandes desconexões interiores do corpo feminino surgem pelo condicionamento da criação patriarcal que faz com que muitas mulheres sintam medo de serem abandonadas ou de nunca serem boas o suficiente. Por carregarem isso profundamente dentro de si, acabam agindo de forma que “violentam” a sua própria natureza ao invés de agregarem coisas em suas vidas que irão nutri-las e realizá-las como mulher. É quase como se o tempo todo algo estivesse faltando e não soubessem muito bem o que seria, então, buscam fora alguém que fosse suprir, ofertar ou entregar isso em suas mãos e então, por fim, encontrariam suas supostas felicidades em um relacionamento, emprego ou posse. Porém, o que a mulher mais precisa, antes de tudo e qualquer coisa que está fora de si mesma, é voltar-se para dentro para reencontrar esse ponto de encontro entre seus dois grandes e principais centros energéticos que são seu útero e seu coração.

Vejam, como a maioria dos problemas que as mulheres acabam desenvolvendo ao longo de suas vidas, veem desses dois pontos. Seja na região reprodutora ou no coração e/ou seios. Muitas mulheres estão com suas energias completamente drenadas e exauridas a tal ponto que suas feridas tornam-se profundas, suas vidas tornam-se vazias e “felizes” apenas na superfície e enfrentam uma dificuldade muito grande de sair da jaula que as aprisiona de si mesmas, impedindo-as de serem livres, de serem aquilo que precisam ser. Porque quando nosso corpo manifesta uma doença, está manifestando um desalinho interior muito marcante e que não foi ouvido. Então, nosso corpo sábio, tenta comunicar-se conosco através do único meio que sabe. Por isso, muitas mulheres, encontram seus caminhos de volta para sua “tribo feminina” através das doenças, como seus caminhos de cura e autoconhecimento. Mas, não precisamos esperar algo tão drástico.

Então, meu convite hoje é para que todas as mulheres façam esse caminho de volta, diariamente. Para irem restabelecendo e restaurando as pontes de conexões entre seus corações e úteros. Fique mais atenta as suas sensações quando estiver interagindo com o mundo. Sempre que estiver com alguém, sempre que estiver fazendo algo, sempre que estiver em alguma situação, observe como se sente e faça notas mentais. Será que você está fazendo algo que não quer? Será que está fazendo e/ou falando algo que não sente e não é verdade? Que está mais te violentando e tirando sua felicidade? O que você poderia falar e/ou fazer diferente que iria agregar valor, trazer alegria e prazer para você?

As mulheres acabam não sendo incentivadas a serem egoístas, no melhor sentido da palavra. Muitas acabam sendo punidas ou sendo taxadas por nomes quando ousam ir atrás daquilo que as fazem feliz e outras são punidas pela nossa sociedade hipócrita quando rebelam-se e abandonam uma situação que estava-a de fato, “matando-a as poucos”.

Este é um convite de vitalidade enorme. O seu corpo é seu maior amigo. Está o tempo todo tentando e chamando-te para que sejas feliz. Portanto, fique atenta às formas sutis e explícitas de comunicação das energias femininas: elas falam através da intuição que vem das entranhas, daquele saber que não podemos explicar ou seque tocar/nomear, através dos sonhos e até mesmo lapsos momentâneos de pequenas certezas, como eu gosto de chamar. Que vem até nós através de um sussurrar ou até de imagens nítidas. Fique atenta também aos sintomas que se repetem constantemente. Pode ser no seu ciclo menstrual, dores de cabeça ou cefaléia, dores estomacais ou desarranjos, problemas de pressão alta/colesterol alto, problemas como cistite e até mesmo respiratórios. O que está sempre se repetindo de tempos em tempo na sua vida? Quando isso vem? Qual situação e/ou pessoa está envolvida? Pare um pouco e sente-se com esse sintoma. Sinta-o em sua plenitude e pergunte: O que você quer me dizer? O que eu preciso saber? O que eu preciso fazer?

E confie na sabedoria inerente que todas nós mulheres recebermos ao virmos de um útero, acolhermos um útero dentro de nós e estarmos ligadas ao útero primordial que deu luz à toda a existência que conhecemos. Então, mulher: o que o seu corpo está querendo dizer-lhe hoje?

imagem: Camila Carlow

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