É natural nos dias de hoje voltar-se ao Feminino Sagrado para resgatar a essência primeval da nossa natureza Feminina. Porém, ao longo do percurso das deusas esquecemos que não somos compostas apenas de uma única substância, mas sim, que somos partes complementares de um todo que não é dual. Sendo assim, é imprescindível agregar à jornada pelo Feminino Sagrado, à jornada pelo Masculino Sagrado, porque nós somos Feminino e Masculino. E não estou falando de gêneros, mas sim das forças que nos compõe e sustenta-nos.

Passar pelo resgate, cura e fortalecimento do Masculino Sagrado é lembrar que também há deuses que habitam dentro de nós. Que também somos filhas e parte do Grande Pai, que é muito maior do que um personagem ou fé religiosa ou sequer de seres míticos. É do que somos feitas. Assim, como também somos filhas e partes da manifestação da Grande Mãe e suas Mil Faces e Nomes. Somos um pouco de tudo isso. Cada um em maior ou menos grau. Com partes de nós que são luminosas e outras sombrias, e tudo isso, muito além do que acreditamos ser bem ou mal, mas sim, partes do mesmo e do todo.

Como o yin e yang. Na luz há sombra. Na sombra há luz. Não há separação entre elas. Quem as separa somos nós. O mesmo acontece com o masculino e o feminino. Não há separação entre eles. Não dá para tentarmos defini-los colocando-os em uma tabela comparativa onde temos: coração/mente, sentimentos/pensamentos, emoções/racionalidade, passivo/ativo, receptível/diretivo, imaginação/razão, fluido/linear, intuição/lógica, visão/realidade, criatividade/lógica, animus/anima, entre tantas outras coisas que conhecemos, que tentam definir e rotular o que é feminino e o que é masculino.

Ao fazermos isso, restringimos as forças que não estão sobre o domínio da classificação e que estão livres dos nossos enquadramentos. Monica Von Koss aponta que “os conceitos de feminino e masculino carregam uma infinidade de conotações e necessitam de uma revisão profunda, para que possamos reformular nossa compreensão a respeito de nós mesmos. Uma mudança profunda nos pensamentos, percepções e valores que constituem nossa visão de realidade, deve incluir uma revisão destes conceitos, que até agora foram teorizados – em sistemas filosóficos, sociais, políticos, psicológicos, médicos – para servir de suporte à hierarquia patriarcal”.

Quando entendemos isso, vamos além de gêneros e entramos nas danças das energias e forças das polaridades, que estão presentes dentro de todos os homens e mulheres. Recriarmos novos moldes e somos livres para expressar essas energias de forma livre. Onde já não cabe mais “isso é coisa de homem” ou “isso é coisa de mulher”, mas sim, isso é natural do ser humano, isso é essencial em minha vida, isso é quem eu sou. A livre expressão. Abrindo as portas interiores para o equilíbrio interno, e futuramente, o equilíbrio externo do mundo ao nosso redor. Sem separação, mas integração. Ao entendermos que feminino e masculino fazem parte e constituem quem nós somos, realizamos o verdadeiro casamento sagrado.

Quando estudamos os deuses, descobrimos como eles se manifestam dentro de nós. Onde há as deusas, há também os deuses. Porque dentro de nós tudo funciona aos pares. Em combinação. Em equilíbrio dos opostos e em plena reciprocidade. Quando uma deusa é esquecida um deus também o é. Quando um deus vai para uma sombra, uma deusa também o vai. Quando uma deusa vai para luz, ela traz consigo um deus. Tudo afeta o todo. E as partes também afetam o todo. O simples fato de olharmos para os deuses, com a mesma dedicação e intensidade com as quais olhamos para as deusas, já inicia um processo de cura. Porque quando eu olho e reconheço, essas partes se sentem lembradas e vistas! Não mais esquecidas ou deixadas de lado. Elas se sentem fazendo parte novamente de algo maior, então, o trabalho de restauração pode começar a ser feito!

Eu desenvolvi todo um estudo sobre o Masculino Sagrado dentro das Mulheres e aos poucos vou aplicando-o conforme o Feminino Sagrado vai se tornando curado, fortalecido e empoderado o suficiente para resgatar o Masculino das sombras. Porque é igualmente essencial “salvar” esses deuses do machismo e patriarcado que os dissecou em partes, em fórmulas e em coisas que não refletem sequer 1% do que são e podem vir a ser quando refletidos pela luz divina.Quando conhecemos e reconhecemos os deuses dentro de nós, nos tornamos mais inteiras e trabalhamos diretamente na consciência das crenças que temos com relação ao masculino que afeta nossos relacionamentos e também nossa maneira de expressar e manifestar essa energia em nossas vidas. É um processo essencial para a dissolução do patriarcado e a restauração das energias que se complementam, que andam lado a lado, que co-criam a vida e que vivem em perfeita e harmoniosa parceria igualitária.

Através da Mãe, do útero, da essência da vida, os deuses, um a um, vão sendo restaurados, e começamos a lembrar que dentro de nós está Zeus, Hades, Poseidon, Ares, Hefesto, Merlin, Hermes, Hórus, Osíris, Shiva, Dionísio e o Grande Pai. Afinal, o Sagrado está em seu ápice e também estamos nós, quando essas forças estão lado a lado, não disputando poder, mas sim, criando e co-criando a Criança Divina e compartilhando suas vidas, dons e dádivas com o mundo todo.

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