Quando a condução da vida é entregue para a alma cuidar, tudo que vem fazer parte do seu caminho, torna-se um cristal que vai construindo a estrada da sua jornada com beleza e plenitude. Ladrilho por ladrilho. Formando um caminho único e especial, como se cada passo que você desse emanasse uma nota musical e sua jornada torna-se uma grande ópera ou um grande baile musical. Cada passo uma nota. Vários passos uma canção. Todo um dia de caminhada, uma bela sinfonia.

Assim é a vida quando segue-se os caminhos da alma. Quando os caminhos que escolhe trilhar são caminhos dançantes que espiralam, circulam e entrelaçam-se com a beleza da vida. Músicas e danças por onde você manifesta e traz para o corpo toda a alegria da vida, toda a tristeza que te assola, toda a dor que te parte ao meio, todas as risadas que gargalham e todas os ventres, corações, visões e dimensões de pessoas que entrelaçam-se em passos, em mãos, em olhares e em abraços.

Os caminhos da alma são assim. Porque são caminhos de verdade. E e dança é uma daquelas estradas que trazem o cru e o nu de quem você é. Quando erra. Quando entorta. Quando gira. Quando vai para frente e para trás. Quando caminha junto. Quando caminha ao lado. Quando voa solto na roda e em várias rodas. Porque o mundo todo é uma grande roda. Uma infinita poesia de notas que são compostas pelas sagradas presenças daquelas pessoas que escolhem encarar-se umas às outras em uma vivência circular e comunitária. Porque a roda é de todos. Porque esses são os caminhos dos humanos que sentem, dos humanos que sensibilizam-se e dos humanos que radicalizam a vida através de uma movimentação que nunca para, porque a roda está sempre a girar.

Enquanto giramos, vamos passando de roda em roda, de mão em mão, por muitos olhares, com diversas conduções e aprendemos um pouco mais sobre a vida, sobre nós, sobre o que é ser humano e ser alma em uma dança, em uma canção em um resgate da mais pura existência que atravessa gerações e conecta-nos aos povos de todas as direções. Relações. Sim, os caminhos da dança são um universo de relações que estabelecemos em um momento único, na escolha de dançar junto e de fazer parte daquela roda específica, por um dia, por um lamento e por um instante de alegria infinita. Porque em uma roda todas as nuances de emoções podem ser sentidas ou todas de uma só vez. Não sei. Uma música, uma coreografia, uma tradição e um grupo de pessoas podem despertar e reverberar um acontecimento sem proporções mensuráveis, porque estamos atuando na sintonia da alma. E quando a alma fala…bem, precisamos ouvir.

A dança é uma forma de abrir espaço em nós para ouvirmos a alma. Em um gesto. Em uma forma específica de caminhar. Em um movimento novo e em um tão velho quanto a humanidade. A dança é da criança. É da mãe. Dos filhos. Dos avôs e das avós. Das meninas e dos meninos. Dos pais e dos tios. Das sobrinhas e dos sobrinhos. De todos os netos. Daquela que mal sabe andar, daquele que torce os pés e embaralha-se nos passos, daquela que é pura liberdade e leveza que parece que flutua entre nós, daquele que desafia e que enfrenta, daqueles que lamentam e que celebram a vida, a natureza, a ciclicidade, as estações e todas as gerações. A dança é para tudo e está em tudo. Porque a roda gira, e não importa em qual momento da minha vida estou, quem sou e onde estou, a roda sempre me acolhe. Porque nela sou diluída em notas e passos, e tudo espirala em um balaio só. A dança e a roda são uma entidade que vivem e pulsam por si só. E tomam vida porque escolhemos adentrar um tempo fora do tempo, que gira para cá e para lá. Criando uma nova realidade. Um espaço mítico e sagrado, profano e mágico, pelo simples fato de darmos as mãos em um círculo sagrado. O símbolo da eternidade, da totalidade e da comunidade.

A dança. A roda. A humanidade. São os caminhos da alma. São os percursos da vida. São os alinhamentos necessários para lembrar-mos que podemos criar uma nova realidade, expurgar a ilusão, porque a potência da roda é a luz do divino que emana do centro para cada coração e de cada coração para toda uma nação.

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