Fui percebendo ao longo da caminhada pela Espiritualidade Feminina da Deusa, que carregava uma carga muito pesada, tanto da criação, quanto da influência judaico-cristã, mesmo não sendo praticante. Aos poucos, isso foi se transformando, conforme fui abrindo espaço para encontrar aquilo que era verdadeiramente meu. Aquilo que ressoava como verdade dentro de mim. Aquilo que era espontâneo e natural. Uma das coisas que me incomodava, era esse hábito de rezar, orar e voltar-se ao divino (e muitas vezes, contra o divino) quando as coisas não iam bem. Então, entendi, desde pequena, que a oração e a reza, era uma forma de pedir, de barganhar, de negociar com Deus. Porque, percebi que as pessoas voltavam-se para Ele quando estavam aflitas, em luto ou com problemas sérios. Isso para mim nunca fez sentido. Perceba, que não estou dizendo que está errado quem faz assim ou que tal religião não é boa, a outra que o é. Isso não é importante. Isso não é o ponto de discussão. Isso só separa, gera fanatismo e pouca compreensão. O que importa é aquilo que faz sentido e é verdadeiramente real para cada um. No momento, quero apenas compartilhar o que faz sentido para mim. Espero que você também encontre o que faz sentido para você!

Foi por isso, que fui desenvolvendo, com o tempo, práticas diárias. Que aprendi, claro, quando comecei no Yoga. E já vão mais de 16 anos neste trilha. Que a prática deve ser diária. Que a oração deve ser diária. Que o contato com o Divino deve ser diário. E acima de tudo, que este Divino está dentro de você. E é lá que você deve buscá-lo, intensamente, faça chuva ou faça sol em nossos corações e em nossas almas. E, isso para mim fez todo o sentido. Eu não precisava mais ficar buscando alguém lá no alto, que parecia mais nos punir do que nos amar, mas sim, buscar dentro de mim. Através do Yoga, resgatei o significado da palavra religião, que é religare. O religar.

Quando iniciei minha jornada pela Espiritualidade da Deusa, as coisas só ampliaram-se neste sentido. Porque além Dela estar dentro de mim, ela também estava em todas as partes. E nós estaríamos juntas o tempo todo. Porque Ela é a própria criação, o útero fértil que deu vida a tudo, que eu carrego em mim, em meu próprio útero e que estará junto de mim até o fim, até quando eu voltar para seu útero, para a Terra, para o Todo. Na Deusa encontrei as orações como forma de celebração, de lembrar quem eu Sou, de onde vim, que faço parte e que estamos juntas o tempo todo. Nas alegrias, nos prazeres, em meu corpo, na natureza, nos ciclos da lua e nas estações da Terra, em todos os seres vivos e em tudo que existe, meus olhos vendo, meus sentidos captando e tudo aquilo que ainda desconheço. Esse é o campo de abrangência da Deusa e estende-se para trás, neste agora e para depois de mim.

Através da Deusa, entendi os ciclos de vida-morte-vida. Entendi que tudo faz parte da experiência humana. Entendi, acima de tudo, que eu era responsável pela minha própria vida. Que ficar culpando alguém não iria ajudar nada. Que eu era co-criadora de tudo, e portanto, tinha um papel ativo em tudo. Saia assim, do papel da mendiga que ficava eternamente pedindo, implorando e submetendo-se. Que é uma das características do patriarcado. Dominar. Separar. Submeter. Com a Deusa ao meu lado, eu levantei, eu equiparei, eu reconheci, eu empoderei, eu me responsabilizei pelas minhas escolhas, pelos meus pensamentos, pelas ações e pelo que desenrolava delas. Mas, acima de tudo, encontrei Nela uma aliada!

Percebi então, que a Deusa era uma aliada. Era Mãe, mas era amiga. Era parte. Estava ali, acessível, de tantas formas incontáveis, que me ajudavam a reconhecê-la e tocá-la, sempre que precisasse. Eu eu precisava o tempo todo. Porque já não estava mais me relacionando com alguém que estava distante e inatingível, e do qual tinha mais medo do que qualquer outra coisa. Eu me relacionava com Ela, porque sentia afinidade, amor e proximidade. A Deusa está em nós e nós estamos nela, e quanto mais próxima Dela estamos, mas próxima de nós mesmas ficamos.

As orações então, tomaram outro sentido para mim. Já não era mais para pedir nada. Era para que Ela me ajudasse a reconhecer tudo que já tinha em mim. Era para celebrar. Era para conversar e partilhar. Era para me lembrar que estamos sempre juntas. Era o tempo todo. Porque não tem um tempo especial e único para estar com Ela, porque todo momento é Sagrado. Tudo é Sagrado. Porque Ela me lembrou da Sacralidade da vida e da parte que eu tenho nesta vida.

Compartilho então com você uma das orações diárias que eu faço. O tempo todo. Para reforçar, para lembrar muito mais do que esquecer, para ter a certeza, de que realmente sei, sinto, percebo e reconheço que faço parte e que a Deusa está o tempo todo dentro e fora e em todos os lugares.

A Deusa está comigo.
Eu sou uma com a Deusa.

Que assim seja para mim
Que assim seja para você.
Que assim seja para nós.

Imagem: Lyn Thurman
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