Uma das grandes belezas da Tradição da Deusa é essa apropriação do corpo e de sua integração com a Natureza. Reconhecendo que somos parte da Criação. Outra grande diferença é que na Tradição da Deusa, diferentemente das Patriarcais, não se vê os relacionamentos/casamentos como algo que iria te “deseluminar” ou “atrapalhar”, mas sim, como um dos meios através de onde a divindade pode ser alcançada. Assim, como também não vê a mulher como uma distração ou diminuição de suas capacidades, algo que é muito comum nas tradições patriarcais, onde o homem precisaria estar distante das mulheres, como se elas somente prejudicassem seu caminho espiritual, assim também é vista a família.
 
Porém, em tradições onde a Deusa está sendo reverenciada e honrada, sabe-se muito bem, da capacidade do feminino de iniciação, assim como também, se sua capacidade de própria de iluminação. Já que dentro das tradições onde o Feminino/Deusa era o foco, era a própria mulher que irá a iniciadora dos Homens e também a Grande Guardiã dos Mistérios da Vida e da Transcendência. Por isso, que unir-se a Ela, era uma das formas de aprender, evoluir e transcender.
 
Nós, conseguimos ver os resquícios disso, por exemplo, no relacionamento de Jesus com Maria Madalena, sendo Ela, o próprio Graal, aquela que é a portadora dos Mistérios e da Lua e que juntos, podem muito mais. Assim como também, quando vamos buscar os ensinamentos tântricos puros e verdadeiros, que existiam dentro de núcleos familiares, onde a yogini era quem iniciava o yogin. Pois Shiva (masculino) sem shakti (poder feminino) é shava (cadáver), ou seja, nada pode, nada alcança, em lugar algum chega.
 
Precisamos nos lembrar dos tempos da Antiga Religião da Deusa, onde as mulheres eram as sacerdotisas, xamãs, curandeiras, parteiras, benzedeiras e estavam a frente das lideranças espirituais. Porque essas mulheres e forças ainda vivem dentro de nós, porque carregamos toda nossa ancestralidade feminina. E não podemos nos esquecer disso, porque fazê-lo é esquecer do seu próprio poder, papel e sabedoria, sim!
 
Porque a Sabedoria Feminina é uma das coisas que foi desvalidado e desmerecida em uma cultura patriarcal e solar, que honra apenas o que é racional, científico, produtivo e válido. Sendo, que a Natureza Lunar de tudo foi esquecida, é junto com ela, foi-se os poderes intuitivos, criativos, flexíveis, espontâneos e também nossa conexão com a natureza seu ciclo e ritmos, nosso corpo sensualidade e sexualidade, e a espiritualidade que está presente em tudo e em todos. Tudo aquilo que adentra o mundo da não explicação concentra, mas sim, do inexplicável e não comprovável racionalmente. Mas, que ainda assim é verdadeiro. É o mundo da mágica, do encantamento e dos poderes sutis. É o mundo da Lua e do Feminino. O mundo do que não pode ser controlado ou comprovado cientificamente, e que também faz parte da nossa natureza.
Lembrar disso e viver o Sagrado Feminino é resgatar seu próprio poder. Resgatar os Mistérios da Lua e lembrar que você é. Que sua voz é importante e necessária. Que a sabedoria da qual você é Guardia, precisa ser reassumida e usada no mundo e para o mundo. Que as Deusas precisam de nós, ou seja, precisa que nos lembremos Delas, porque ao fazermos isso, lembramos de nós mesmas e de todas as mulheres que vieram antes de nós. Voltamos a fazer parte do Grande Círculo de Mulheres da Terra. Mudando essa energia destrutiva patriarcal que só viver pelo poder e pela apropriação das coisas, porque tudo é coisa, e não vai parar até não sobrar mais nada.
 
É bom lembrarmos disso. Para que possamos viver o Sagrado em cada ato da nossa vida profana e perceber que não há separação se assim não quisermos. E que acima de tudo, tudo pode vir para nos engrandecer e elevar, se assim também quisermos e não ao contrário.
 
O Sagrado e o Viver na Divindade é uma intenção profunda e sincera que deve estar presente em tudo. Porque assim também a Deusa o está, já que tudo que vemos é sua criação.
 
Tudo vem, broto e é criado a partir do Grande Ventre da Mãe e é para lá que voltamos. E o tempo em que as mulheres eram as detentoras da Sabedoria, ainda é hoje. Ainda será sempre. Desde que não esqueçam de onde vieram, quem são e qual é seu papel. E que não dêem ouvidos para o mundo patriarcal que diz que as mulheres não tem valor, que sua voz não importa e que o que dizem é loucura. Loucura é esquecer-se quem é! E isso, até os próprios homens se esqueceram, porque todos, vieram do mesmo ventre e para lá voltarão.
 
Refletindo sempre para o nosso Bem-Mais-Elevado.
Blessed Be!
Namaste!

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