FEMININO SAGRADO: O SAGRADO FEMININO

“Recuperar o sagrado feminino em nós significa deixar a nossa vida criativa florescer;
nossos relacionamentos adquirirem significado, profundidade e saúde;
nossos ciclos da sexualidade, criatividade, diversão, e trabalho serem restabelecidos.
Nós temos o dom inato de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária,
um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora,
e uma ouvinte que guia, sugere e estimula a vida vibrante nos mundos interior e exterior.
Nós somos isso e muito mais!”
– Clarissa Pinkola Estés

Tenho certeza que você já ouviu e leu sobre o Feminino Sagrado por todas as partes, porque é um daqueles termos que ficou tão banalizado quanto o gratidão. Todo mundo usa para tudo, porém, nem tudo é Feminino Sagrado, assim, como não é para tudo que eu de fato sinto a gratidão. Então, vamos desvendar um pouco o que de fato seria esse Feminino que é Sagrado e este Sagrado que não é qualquer coisa, mas que se refere ao Feminino. E como essas duas coisas, podem andar juntas de mãos dadas, de forma verdadeira e singelamente pura.

Primeiro, precisamos entender o que seria esse Feminino. Porque recebo muitas mulheres que resistem a adentrar qualquer trabalho voltado para mulheres, por uma profunda rejeição às coisas de mulheres. Àquelas coisas sabe: engravidar, usar rosa, ser sensível e acolhedora, usar maquiagem, falar de homem e fazer brigas de travesseiro de lingerie, comer só salada durante um encontro amoroso….não? Não, não é claro que não!!! Para realmente entendermos o Feminino, é preciso parti-lo ao meio, picá-lo em muitos pedaços e desfragmentar todos os conceitos, pré-conceitos, dogmas, valores e registros sobre o que é feminilidade e o que é da mulher. Somente quando jogamos tudo isso em uma lata de lixo é que poderemos começar a de fato entender e futuramente ser um Feminino autêntico, que irá “bater às portas” do Sagrado.

A ressignificação do que é ser mulher, vai de total encontro ao que é o feminino. Porque até hoje, relacionamos isso diretamente ao que define um gênero. Ou seja, isso é coisa de mulher e isso é coisa de homem. Mulher pode isso. Mulher não pode aquilo. Quando fazemos isso, vamos naturalmente colocando dentro de um quadrado o que valida o feminino e o que o desqualifica, e naturalmente, restringimos à expressão do feminino nas mulheres e também nos homens. Quando, começamos a deixar isso de lado e nos abrimos para ver e pensar diferente, um novo mundo se abre a nossa frente. Paramos de profanar o feminino e paramos de aprisionar mulheres ao longo dos séculos. É hora de abrir as portas das jaulas dos rótulos infinitos e julgamentos descabidos e deixar a mulherada correr livre pelo mundo, do jeito que elas quiserem, sem precisarem de nomes, definições e rotulações para se validarem, serem felizes e serem “mulheres femininas”.

O Feminino Sagrado quer que você apenas seja e ponto. Você irá preencher isso da forma que você bem desejar. Isso é com você e só com você, ninguém mais! Uma grande confusão que acontece neste mundo é que acabamos confundindo a verdadeira liberdade e autenticidade feminina, com uma “falsa liberdade” oferecida pelo próprio patriarcado. Onde, usamos o discurso, de “quem deve escolher é a mulher”, quando na verdade, suas escolhas são exatamente àquelas que o patriarcado oferece e deseja dela. Leia um pouco mais sobre isso e entenda como isso funciona e como nem percebemos que acabamos achando que estamos livre e fazendo escolhas, quando na verdade, estamos apenas seguindo vozes e comandos que vem de fora. Hoje, li uma tira que falava exatamente sobre isso: http://everydayfeminism.com/2015/07/choices-not-always-feminist/

Portanto, é só quando de fato, desenvolvemos a capacidade de olhar para tudo isso e olhar profundamente para nossas escolhas, intenções e motivação por detrás de tudo que nos move é que iremos verdadeiramente ter discernimento, força e poder o suficiente para ser autênticas e não seguirmos mais às vozes do patriarcado, sem nos darmos conta. Iremos sair do estado de inconsciência, dormência e normose, para adentrar a verdadeira liberdade que o Feminino nos oferta. Porque ele nunca pode ser definido em poucas palavras e nunca pode ser controlado, porque verdadeiramente está em constante transformação e suas vestes são muitas!

Somente quando adentro este novo território é que ele começará a tornar-se Sagrado. Porque já não está mais corrompido e não está sendo profanado por vozes que de fato não desejam que ele seja, não desejam que ele floresça e não desejam que ele exista. Pelo menos, não dá forma que ele precisa ser. Quando nos apropriamos novamente do feminino e quando colocamos ele nas mãos novamente da Deusa e do Divino Feminino, e este se torna o nosso direcionamento, o nosso Norte e nosso ponto de partida e encontro, é que estaremos nos domínios do Sagrado.

O FEMININO ALÉM DE GÊNEROS

Veja então, que o Feminino Sagrado está além de questão de gênero, porque é uma energia, um poder e uma força que habita todos, sem distinção. Ao mesmo que está além, o feminino sagrado também é a própria manifestação. É o poder que é auspicioso e traz prosperidade a todos. É a energia da criação e também a fonte da criação. Tudo que vemos é a manifestação de shakti, por isso que dizemos que é Maha Maya, ou seja, ilusão. Mas, não é bem assim. Como aponta Pedro Kupfer em seu artigo A realidade ilusória, vemos que: Indo ao dicionário sânscrito, veremos que, em primeiro lugar, mayasignifica “sabedoria”, “poder extraordinário”. Num segundo nível de significado, é também “truque de mágica”, “feitiçaria”, “fantasma”, e designa, ainda, algo falso ou irreal. Num outro nível ainda, a palavra maya aponta para as manifestações da Deusa.

O poder de manifestação é inerente à consciência suprema, e este poder é Shakti. Não há lugar algum onde Shakti não resida. Ela é pura, energia vibrante no cerne de todos os seres e objetos manifestados e não-manifestados da criação. Shakti está em tudo que é visto e não visto, do pequeno ao maior.

Há um imenso poder dentro de nós que contêm todas as nossas capacidades, potencialidades e latências inerentes, com um poder de transformação e uma característica peculiar inerente das nossas próprias forças. Apesar de estar relacionada com o feminino, não está relacionada com gênero, mas sim com a força e poder da energia feminina dentro de cada um de nós: homens e mulheres.

Este poder leva o nome de shakti

Não há lugar algum onde Shakti não resida. Ela é pura, energia vibrante no cerne de todos os seres e objetos manifestados e não-manifestados da criação.

Shakti está em tudo que é visto
e não visto do pequeno ao maior.

Não somente é a Shakti responsável pela criação, mas também é o agente de todas as mudanças. Shakti é a existência cósmica assim como a liberação, sendo que sua forma mais significante é a Kundalini – uma força misteriosa psicoespiritual. Shakti existe no estado de svaatantrya, sem depender de nada, sendo interdependente com o universo todo.

Shakti é o poder que concede a vida
e o poder de pensar, desejar, saber e agir.

Através de Shakti conduzimos as nossas vidas;
na ausência da Shakti, tudo cessaria de existir.

Sendo assim, este poder ou esta shakti que se manifesta em diversas formas e forças, está presente dentro de todas as pessoas. É a força do feminino que vem para despertar, criar, movimentar, transformar e vibrar na sintonia e intenção que desejarmos. Nos próximos artigos, iremos passar por algumas das mais importantes shaktis para ser desenvolvidas e despertadas dentro de nós, para nos auxiliar a viver em nosso maior potencial. 

Está pronta para ser verdadeiramente livre e deixar que a Deusa siga à sua frente te indicando o verdadeiro caminho da sua bem-aventurança?

imagem: Vicky Viaene

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