Ao pensar na palavra divino, eu sempre me lembro da palavra namaste e de como esta faz referência ao divino que habita em cada um de nós. No reconhecimento. Na manifestação. Na alma que está habitando temporariamente um corpo. Na eternidade. Na luminosidade. Naquilo que é maior do que tudo. Na plenitude, por fim. Namaste, para mim, é a lembrança e reafirmação de que somos muito mais do que pensamos que somos, e não em uma forma egocêntrica se achando “especial”, mas sim em uma forma humilde, reconhecendo que não somos este corpo, pensamentos, sentimentos e emoções, e que somos sim, uma alma que aqui veio habitar, e que se expressa e manifesta através de tudo isso, porém, sem alma, é livre de identificação com corpo, pensamentos, sentimentos e emoções. É paradoxal, como você pode perceber.

Ainda assim, existe. Ainda assim, é. Ainda assim, aqui sempre está. Como um lembrete de quem verdadeiramente somos e para onde temos que ir. Até ela. Para ela e através dela encontrar o caminho de volta para casa. Casa, local este onde a criação deu-se início, e onde encerrará-se para sempre recomeçar. Sem início e sem fim. Porque ela é eternidade. Nesta eternidade que repousa dentro de cada um de nós, encontramos duas expressões e potenciais principais, que basicamente se complementam. O poder e manifestação do Feminino Divino e suas Mil Faces, e o poder e manifestação do Masculino Divino, que juntos dão à luz a criança divina que nós também temos o potencial de ser.

Sendo assim, é do Feminino que vem toda a criação e de onde as deusas criam esta realidade, e onde podemos viver nossa natureza inerente cíclica e manifestar os mistérios do sagrado feminino. Somos guardiãs desse potencial que pulsa em nossos ventres: vida-morte-vida, como Clarissa Pinkola Estés já disse. Assim, como, também somos guardiãs de toda a beleza da expressão e manifestação que vem do Pai Divino e tocamos e sentimos, manifestamos através dos deuses que habitam em nós e interagem com o mundo. Deusas e deuses criando uma realidade divina e que ao longo dos tempos, foram afastando-se mais e mais dessa criação, não porque perderam o rumo, mas porque nós não soubemos usar seus poderes para o Bem-Mais-Elevado, mas sim, para meus gananciosos de dominação, poder sobre e guerras infinitas e sem propósito. Por isso, esses deuses e deusas que estavam tão próximos, tão presentes e tão puros, parecem-nos tão estranhos e tão maléficos, quando na verdade não o são. Apenas nossa visão já não está mais clara. Está suja por tantos desejos e aversões, por tanto sangue que foi derramado em vão, para tanta briga e separação, por tamanha a inversão de valores….

Agora, é momento de fazer o caminho de volta. Que essa espada na sua mão, não seja mais para subjugar, mas que seja sim, para trazer discernimento, porque sem ele, nunca conseguirás ver o sagrado, porque só verás confusão. Que com essa espada você não precise dominar, amedrontar ou fazer sangrar, mas que possa honrar cada ser vivo que cruze seu caminho, sem medo que ele te tire algo que nunca poderás tirar. Porque a alma é para sempre eterna e o outro nunca poderá tirar aquilo que já é seu por direito. Ele não é seu inimigo. Nós mesmos somos nossos maiores inimigos, porque acreditamos naquilo que não é verdade. E seguimos cegas para as deusas e deuses que tentam falar, mostrar e ajudar. O tempo todo, lapsos de intuição vem a toda, e você ignora. Por quê?

Chega de caminhar às cegas. Para onde? Para quê? Quem de fato te guia?

Agora, é momento de fazer o caminho de volta. Que em nossas mãos carreguemos o cálice sagrado que contêm o néctar da Deusa. O sangue menstrual. O néctar divino. A água do renascimento. O potencial do caldeirão da transformação. A fonte do renascimento e ressurreição. Mergulhando nossa espada em suas águas somos purificadas. Mergulhando nossas mãos em suas águas somos renovadas. Mergulhando nosso olhar em sua superfície, podemos tocar o divino. As deusas em nós estão o tempo todo nos chamando. Para nossa verdade. Para nossa sabedoria. Para nossa inteligência intuitiva. Para nossos poderes. Para nossa soberania. O tempo todo…

Chega de agredir aquilo do qual somos feitas, por medo. Por receio. Por desconfiança. Por que nos deixamos chegar a um ponto que tememos o feminino? Que desconfiamos? Que agredimos? Desde quando temos medo de nós mesmas?

Desde quando ao longo da história formos sendo punidas por simplesmente sermos mulheres. Sim, fomos queimadas, estupradas, violentadas, silenciadas e submetidas. Mas, a deusa nunca o foi de verdade. Não na eternidade. Somente aqui neste mundo de percepção deturpada e limitada. A deusa ainda mergulhada na eternidade, continua pura e plena, e assim nós também a somos.

Que as águas do ventre da mãe caiam sobre nós e que possamos lavar esse passado pelo qual todas nós, mulheres e homens fomos submetidos e submetemos uns aos outros. Chega. Essa não é nossa verdadeira natureza. Não é nem nunca poderia ser. Porque a dualidade só existe onde há limitação, onde há apego às formas e aos nomes, e onde a Mãe e o Pai Divino habitam em nós, não há dualidade, há os opostos complementarem que criam a harmonia e a perfeição da criação.

Vamos além. Tem que ser passos diários.
Desejo profundo de ver além do ego. Nosso desejo mais profundo deve ser a Unidade com a Mãe e com o Pai. Revelar do que de fato somos feitas. Manifestar a Verdade do Divino em tudo. Lembrar mais disso, esquecer menos. Acreditar menos no que não é verdade. Porque a verdade é só UMA. Por detrás de tantas verdades, ainda só há UMA. Por detrás de tantas deusas e deuses, ainda há só UM.

Além de mulheres e homens. Além de feminino e masculino. Além de você e eu. Que desejemos diariamente tocar o DIVINO. Habitar o COSMOS. Ser a expressão mais pura do SAGRADO. Além de rótulos. Além de dogmas. Além de falsas morais. Além de leis. Além de limitações físicas ou mentais. Que possamos habitar a ETERNIDADE. Para que assim, possamos ver o que é REAL. Porque esse eu que conheço e esse mundo que habito, é só uma EXPRESSÃO EQUIVOCADA e uma ILUSÃO.

Através da Mãe e Pai Divinos em acordo e vejo….
Através da Mãe cura, liberto e sou o Sagrado Feminino…
Através do Pai curo, liberto e sou o Sagrado Masculino…
Através deste Casamento Sagrado curo, liberto e renasço como a Criança Divina.

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