Eu sei que há muitas deusas que são pops! Todo mundo gosta delas e tem afinidade, eu também tenho as minhas preferências. Mas, há algumas deusas que eu considero essencial para sustentar todo o trabalho que é desenvolvido dentro das mulheres. Deusas essas que carregam algumas características que são as raízes do nosso desenvolvimento. As bases que nos sustentam e que irão auxiliar que tudo que iremos aprender, conhecer e curar dentro de nós, seja feito com profundidade, com verdade e com sabedoria. São deusas básicas e que habitam o cerne do nosso Ser. Imaginando, dentro do conceito tântrico, de que nosso corpo é nosso tempo, e que dentro da caverna/útero do nosso coração, habita nossa chama, nosso ser ou seja, aquilo que nos torna autênticos e únicos: o self.

Então, essas deusas são o grande centro da nossa existência. Cada uma, sendo um dos quatro pilares de sustentação primordiais com uma medicina, uma sabedoria e uma dádiva a nos oferecer. Vamos conhecê-las e quem sabe tornar todos os trabalhos e contatos que fazemos com as outras deusas ainda mais fortes e significantes?

A Chama Sagrada: o bindu (centro do nosso universo interior)

Trabalho com 4 fogos sustentando uma única Chama Sagrada dentro de nós, e dentro dela estão contidas 4 medicinas como raízes fincadas no profundo feminino, do fogo de onde uma nova vida cresce, primeiro como semente e depois como uma forte árvore. Sendo que cada deusa traz uma nutrição para essa árvore, uma flor e um fruto, com infinitas possibilidades. Vamos conhecê-las?

Héstia – esta linda força, a chama sagrada que habita em cada uma de nós, é quem está no centro deste grande templo interior. É o ponto de encontro. A unidade. A sororidade interior. Jean Shinoda Bolen aponta que a deusa Héstia é o ponto de silêncio dentro de nós, aquela que amplia e fortalece nossa fé, trazer centramento e a capacidade de ficar em silêncio e em solitude, conectadas com o Eu Superior e tornar-se uma observadora. Héstia é a sabedoria intuitiva espiritual da mulher que dá sentido a sua vida e que a preenche em si mesma.

Brighit – essa força tríplice é um grande ponto sustentador dentro de nós, porque ela traz a conexão com o fogo inspirador que nos auxilia a criar, a realizar e a manifestar nossas capacidades intuitivas e transcendentes. É também o pilar de cura e da força que forja novas realidades, que re-cria a nova mulher que podemos vir a ser.

Sekhmet – esta força é intensa, é magnânima e poderosa, porque contêm nosso acesso ao poder pessoal e à força de vontade que nos move pela vida em direção dos nossos objetivos e em direção à realização de quem somos. Ela é o que Genia Paul Haddon chama de feminino-yang, ou seja a força que luta, exige, estimula e impulsiona para frente do modo criaivo e que age a partir de um campo de referência e expressa-se nas emergências, através das quais emerge um senso de direção a partir das necessidades e doações do momento. Ela é a leoa no deserto. A predadora. É aquela que sabe impelir a si mesma e as outras para uma nova vida, em harmonia com os processos orgânicos de transformação. Seu estilo será caminhar com o processo gestatório na afirmação contínua de si mesma e de outros através da agonia da mudança. 

Sati e Parvati – eu trago as duas juntas, porque na verdade, Parvati é a reencarnação da deusa Sati que foi a 1a esposa de Shiva. Ela traz o fogo sacrificial e a soberania da escolha. Ela, usou seu poder interno que a consumiu e a levou para onde desejava. É o portão de acesso à um poder maior do que nós mesmas. Parvati traz a firmeza de propósito, o tapas, a dedicação firme e constante com foco naquilo que deseja. Aquela que pratica com afinco o que se propôs até o final, sem deixar que nada a tirasse do caminho. Se tem duas coisas que precisamos nesta jornada são essas duas forças: o fogo transformador e a firmeza de propósito.

Templo Sagrado Interior: 4 pilares de sustentação

Saraswati – não gosto de puxar sardinha, mas esta é uma das deusas que mais uso em meu trabalho com o yoga, junto com Durga/Kali. Saraswati é essencial em qualquer caminho espiritual. Ela é quem irá nos levantar além de qualquer preguiça e autoindulgência, é a sabedoria que acessamos através do estudo e da prática, a pureza que conquistamos através do uso deliberado do discernimento em cada pensamento, ato e fala. É quem nos auxilia a discriminar as coisas, usar melhor nossa capacidade de julgamento e ter verdadeiro acesso ao conhecimento. Se vamos embarcar em um trabalho espiritual qualquer, ela tem que vir junto, sempre!

Essas forças juntas, são o que estabelece o contato direto, claro, lúcido e profundo com nosso guru interior. Ou seja, aquela força e sabedoria que nos guia e auxilia nos processos de autoconhecimento, transformação e elevação. Sinto, que todo trabalho fica mais sério, verdadeiro e real quando estas forças são o centro e os pilares de sustentação dentro de nós. Como se todas as deusas fossem sentando ao redor da Chama Sagrada de Héstia com os quatro pilares de sustentação segurando o Templo Sagrado da Deusa que as convidamos para habitar.

Durga – é aquela que defende, protege e provêm toda a força necessária para afastar de nós toda e qualquer influência negativa e destrutiva que possa nos desviar do nosso caminho e propósito. É a grande guerreira que se coloca a nossa disposição e sempre ao nosso lado.

Kali – é uma das faces de Durga e de Parvati. Apesar de ela não ser retratada como uma velha, para mim ela é como a lua negra, detentora da sabedoria das velhas anciãs que consegue nos olhar e agir em nossas vidas com a compaixão irada e a mão que tira de nós aquilo que mais nos fere. É como uma grande disciplinadora. Ela é a grande face do Sagrado Feminino que revela toda a beleza e realidade quando deixamos para traz os véus da ilusão que ainda nos aprisiona em falsos julgamentos e em um viver que nos afasta da experiência do Feminino Autêntico. É a Mãe Negra que corta os grilhões de tudo que atrasa nossa evolução. É a ceifa necessária em todo caminho e uma etapa necessária em toda buscadora.

Ísis – é a Grande Mãe, a Deusa dos Mil Nomes, que vem representar nossa conexão primordial com toda a ancestralidade ao longo do tempo e espaço. Ao mesmo tempo, é mais um pilar de proteção e defesa, com a força dos escorpiões, as sabedorias das Najas, a Magia e os Mistérios do Sagrado Feminino e o aporte daquela que vem nos auxiliar o tempo todo de Mil Maneiras diferentes. Com ela, fechamos o Templo Sagrado onde podemos sempre ir, para onde sempre voltamos e onde construímos nossa história e narrativa de vida com o Poder da Deusa, com Soberania (porque ela é o trono sagrado), como heroínas e protagonistas da nossa própria história.

Que todas as Deusas sejam bem-vinda neste templo que construo diariamente dentro e fora de mim para Elas. Assim, reconecto-me com a minha ancestralidade que é como Filha da Deusa que sou. E que assim seja para mim. Que assim seja para você. Que assim seja para nós.

Bem-vindas, Deusas!
Bem-vindas, Mulheres!
Abençoadas sejam!

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