É muito comum o argumento de que nos dias de hoje as mulheres estão mais masculinas do que os homens e vice-e-versa. Porém, se pararmos para pensar por um instante, afora do pensamento patriarcal, veremos como esse conceito é sexista. Porque na verdade, se trata de uma inversão de papéis, dentro dos moldes patriarcais e machistas. Onde temos uma idéia do que é feminino e do que é masculino. Do que uma mulher pode fazer e do que um homem pode fazer. E quando isso sai da rotulagem dada, pronto. Falamos que aquela mulher é muito masculina e que aquele homem é muito feminino. Porém, se expandirmos um pouco mais essas idéias, veremos, por exemplo, que isso não necessariamente procede. Afinal, muitas vezes, falamos que uma mulher é masculina simplesmente por ela estar lá, por exemplo, comandando uma empresa ou um país, e ser muito mais racional, pragmática e mental, e esquecemos, que temos deusas, como a Athena, que é exatamente assim. Isso faz dela masculina? Claro que não! Exatamente porque essas qualidades não são somente masculinas. Assim como temos deusas que são mais agressivas, mais de comando e estão a frente de tudo, como as deusas guerreiras e rainhas soberanas, que estão em traje de guerra e com escudo e espada na mão. Montadas em seus cavalos, e não são nada masculinas. Por isso, não gosto desse conceito de inversão de papéis, porque na verdade, não ajuda ninguém a se empoderar. Mas, sim, a encaixar-se em algum rótulo ou papel específico. Temos energias das deusas que são um pouco de tudo, não somente dóceis, maternais e suaves, mas, selvagens, mentais, racionais, agressivas, incisivas e assim vai. E todas, são extremamente femininas.

O mesmo vale para os deuses. O mundo patriarcal atual está muito fixado em apenas alguns dos aspectos dos deuses. A sua maioria, racional, frio, linear, conquistador e sedutor. Porém, temos todos os tipos de deuses. Inclusive, os que são poetas, bardos, artistas, sensíveis, reclusos, eremitas e paternais. Exatamente, muitos deuses que são desvalorizados nos dias de hoje, como Hefesto (deus da forja), Poseidon (deus dos mares/emoções), Hades (deus do submundo) e Dionísio (deus que sente intensamente e muito expressivo) e até mesmo o Ares (deus da guerra, mas um deus que dança!) Veja como até mesmo os papéis colocados para os homens não condizem a realidade deles. E sim, isso não faz deles femininos e nem menos homens. Exatamente, porque o mundo patriarcal e machista, também prejudica a visão real do que é o masculino. E o desconectou com seu coração e o sentir. Por isso, muitos homens hoje morrem do coração. Porque ficam só na cabeça ou na cabeça de baixo. E esquecem todas as outras energias dos deuses, que fazem a conexão desses mundos, abaixo e acima.

Por isso, que acredito, que tanto para a cura do feminino, quanto do masculino, precisamos desconstruir esses papéis e ir além deles. Enquanto não deixarmos esses rótulos, não iremos vivenciar plenamente as energias do feminino e masculino dentro de cada um de nós. Rotular não significam nada de fato para as deusas e deuses, quando estão em seu lado luminioso e quando vivemos eles em unidade e integração interior. Porque quando estão em equilíbrio, eu simplesmente serei o que eu bem entender. E tudo estará bem. Porque eu encontrarei minha expressão do feminino e do masculino, naturalmente. Porque deusas e deuses estão juntos, são expressões do divino, e precisamos nos desconstruir, para reconstruir de acordo com o divino em nós. Sem essas rotulações de gênero que nos afastam da nossa cura e autenticidade.

Nós vemos as mesmas coisas acontecendo quando se fala que tal mulher que é o homem da casa. Ou tal cara é mais mãe do que a mulher. E outras coisas afins. Mas, quem criou esses papéis? O próprio patriarcado. Então, a mulher que é a dona de cada e a mãe e o pai é o provedor. Pronto. E quando isso sai fora dos padrões. Ah, então esse cara é dona de casa? Deve ter algo errado com ele. Essa mulher é quem sustenta a casa, é quem manda na empresa, é quem joga futebol? Ah, então tem algo errado com ela, é mulher meio macho, né?! Não. Só é assim, porque nós enquadramos as pessoas e rotulamos o que elas podem ser e o que elas podem fazer. E agora, que ninguém mais quer ficar dentro dessas jaulas, ficamos achando que os papéis estão invertidos. Quando na verdade, só não queremos mais fazer esses papéis. Imagine, um ator que diz chega para um personagem. É a mesma coisa. É esse caminho de abandono de um papel que vai fazer com que as pessoas saiam em busca de quem elas verdadeiramente são e para isso, vão orbitar por todas as partes e nos mais diversos papéis. E está tudo certo. Ninguém é menos mulher ou menos homem por isso. Somos apenas pessoas.

Por isso, tenha certeza. Não há inversão de papéis. O que é, é um mal uso das energias das divindades, desconexão e repressão das manifestações dos potenciais divinos e distanciamento das nossas verdadeiras identidades. Aos poucos, precisamos ir conhecendo as deusas, para que nós mulheres, possamos perceber como sim, somos femininas e fêmeas até o mais profundo do nosso ser e que não há nada de errado em nós. Apenas nos esquecemos de algumas coisas e não sabemos usar outras. Abrimos mão dos nossos poderes por conta desses rótulos. Mas, não precisa mais ser assim. O mesmo acontece com os homens, conforme vão conhecendo os deuses, também irão descobrir que são muito masculinos e homens até o fio de cabelo, e que esse masculino é muito diferente do que se conhece hoje, é muito mais do que isso. É depois de terem feito esse caminho, poderão acessar suas energias complementares e harmonizar-se, enfim! Porque no final, todos os papéis estão em nós, e ao mesmo tempo, nenhum deles pode de fato nos definir, porque somos divinos e universais!

Boas reflexões!
Muita cura!
Liberdade! Liberdade! Liberdade!

imagem: 
New Moon (Awakening Goddess)
WulfWorks© 

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