Às vezes queremos chorar e chorar, sem dar explicações, sem razões, um choro sem significados, mas que ao mesmo diz tudo que ficou calado dentro da nossa caverna. Em outros momentos, nos pegamos rindo e rindo, e o riso dói tanto, que caímos juntos no chão. Uma gargalhada enlouquecida e desmedida. Sem medidas. Sem volume. Solta e livre. E juntas, risada e choro, nos levam pelas nossas águas internas, para além da caverna e para os interiores da nossa existência.

Então, ao longo de caminho, junto à correnteza, surgem várias facetas da nossa personalidade. Queremos ser embaladas, abraçadas, beijadas, apertadas, acalentadas, silenciadas, acordadas, resgatadas, deixadas em paz. Queremos ser golfinho, piranha, baleia, crocodilo, raposa, águia, gato, cobra, unicórnio, loba, humana, deusa, arvore, montanha, cachoeira, pedras, rosa e espinhos.

O caminho, o espelho da alma, os reflexos na beira das águas, os animais, as nossas partes. Não busco explicações, apenas o meu entendimento. Quero me conhecer por completo. Com sua ajuda. Sem sua ajuda. Sozinha e acompanhada. Quero me descobrir amor e trevas e abraças os dois por igual. Me sentir livre, me sentir um pouco de você e um pouco tudo de mim.

Que minhas emoções, nem sempre explicáveis e muitas vezes desmedidas e incompreensíveis me levem às profundezas das minhas sombras e que eu possa encontrar a tocha da luz divina. Minha luz. Sua luz. Nossa luz. Que ao me encontrar, posso encontrar você em meu reflexo. E que juntos ou separados, e um pouco dos dois, caminhemos, lado a lado, descalços. Que Gaia, nossa mãe, Grande Mãe, nos guie. Que o caminho seja trilhado e que muitas vezes aja desvios. Haja mudanças no caminho. Mesmo que precisemos começar de novo, ou, respirar fundo para encontrar uma inspiração para continuar, mesmo machucadas, desiludidas ou partidas ao meio.

Mãe, pai, que possamos aprender a recomeçar. Que encontre em meu coração a coragem de me encarar, dentro de mim e nas outras pessoas. Que eu tenha a flexibilidade das minhas águas internas, para me moldar e para encontrar um novo caminho, uma nova forma de ver o mesmo, para que possa me encontrar em todos os momentos, mesmo quando tudo parecia perdido.

Que de dentro de mim, saiam fadas, bichos, gritos de dor e de êxtase. Saiam meus condicionamentos e se transformem em entendimento. Brotem flores do meu ventre, do meu plexo, e uma cachoeira de luz jorre do alto da minha cabeça e me inunde, que para no desespero eu encontre a solução ou simplesmente me perca. E que dos meus dedos, saiam raízes ou novas oportunidade de me recriar.

Que eu possa ser Lua. Todas. Que eu possa ser uma Lua Nova, cheia de fertilidade e fecundar não apenas uma nova vida, mais muitas, em todos os momentos. Que eu possa ser Lua Crescente. Me gerar. Me gestar e Me sustentar. Que eu possa ser Lua Cheia. Cheia de Mim. Cheia do Mundo. Com ventre pulsando. Fértil. Que possa Minguar….e deixar partir. Aprender a morrer um pouco em vida. Para poder renascer outra ou a mesma.

Que eu me funde em ti, Mãe Terra e que a graça Divina me dissolva em uma única fagulha. E que dentro de mim, sempre, mas sempre, principalmente quando me faltar a fé, que nunca me falte, que nunca se apague, a única coisa que nunca se esvaia. Que sempre permanece. Que o feminino sagrado sempre me sustente. Que a minha feminilidade seja minha força. Que a consciência suprema me alimente e que Mãe Terra me nutra. Que hoje e sempre, eu me reconheça como um Ser Divino que caminha pela terra, sem na verdade tocá-la.

Que eu alcance os céus sem precisar voar. E que sim, eu voe dentro de mim e para fora de mim. Direto e de dentro de ti.

Que possamos realizar dentro de nós, homens e mulheres, o feminino e o masculino, para nos elevar acima da dualidade, de encontro com a Unidade Suprema. Que possamos, através do encontro com o outro, no sexo e no amor, despertar em nós, o aspecto anímico contraposto e integrá-lo conscientemente em nossa personalidade, nos tornando mais e melhor – completos e íntegros!

Imagem: desconhecido
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