Independente de onde nascemos e a que cultura pertencemos, precisamos encontrar uma forma particular de reconexão às raízes. Muitas são as pessoas que não fazem ideia de quem são seus parentes. Seja por ter mudado de país muito cedo. Seja por nunca ter se informado e descoberto sua árvore genealógica, outras simplesmente escolheram se afastar da sua terra e cultura natal por se identificar com outra e acabaram assumindo-a. Ancestralidade Feminina Todas as pessoas inicialmente veem de um ventre. Um ventre materno. Essa mãe veio de outro ventre. E assim por diante, segue a eterna ligação de ventres, até o ventre primordial da grande mãe que nos acolhe e está a nossa espera quando deixarmos essa encarnação. Resgatar nossa história pode ser muito interessante. O primeiro passo é descobrir como foi o nosso nascimento. É fascinante ouvir a história do nosso parto. Como que nossa mãe encarou e vivenciou a gravidez, o trabalho de parto em si e o período puerperal que se seguiu em nosso primeiros anos de vida. Assim, voltamos ao princípio de tudo. Quando ainda éramos um impulso. Uma vontade de estar, de reencarnar e recomeçar o grande jogo, que é chamado de maha lila, pelos indianos. A grande brincadeira de Shiva e Shakti. Nos relacionando com esta forma fetal que um dia fomos e voltando ao útero que nos acolheu, voltamos a nossa primeira casa. Dentro da nossa mãe. A primeira imagem e exemplo que temos da mulheres e da grande Deusa. Ali, nos conectamos com o que há de mais sagrado e aprendemos a ser o que somos. Mas, quem ensinou o que nossa mãe sabe a ela? Quem veio antes? A mãe de nossa mãe. A mãe de nosso pai. Duas famílias, duas tradições, duas visões e histórias particulares que se juntaram para nos oportunizar esta vida que escolhemos para nós. Por que decidimos escolher logo essas pessoas? Com histórias tão malucas e diferentes da nossa ou tão familiar e sincrônica? O segundo passo deste retorno ao passado é voltar aos primórdios. Ouvir histórias sobre seus avós, de ambos os lados, tios, tias, bisavós…até onde você conseguir chegar. Quanto mais informação conseguir garimpar, melhor! Você irá descobrir todos os tipos de pedras preciosas e irá aprender muito sobre o que você é hoje. Já ouvir tantas histórias fascinantes, de mulheres descobrindo que tiveram parteiras na família, curandeiras, xamãs, feiticeiras, benzedeiras, entre outras em sua família e nem sabiam. Eu sempre me deleitei com as histórias dos meus avós…um poço de sabedoria! É claro que nem tudo são flores! Há muitos espinhos, sangues, feridas, perdas e danos em nossa ancestralidade. Ainda mais, se contarmos com a história ancestral do feminino na terra em si. Nós carregamos em nós todas essas sombras também. Muitas vezes, a dor é tanta na família que acabamos nos afastando dela, fugindo para bem longe. Mas, quanto mais uma família esconde e afasta-se das dores e do passado, mais ele volta para nos assombrar. E onde ele irá fazer isso? Em nós mesmas. Em nosso corpo. Em nossa mente. Em nossa energia. Em nossos sentimentos. Em nossas relações. Em nossos filhos. O karma de família é muito forte e enquanto não for reconhecido, não poderá ser trabalhado diariamente. É uma missão curar e libertar os ancestrais e a nós mesmas. É trabalho árduo e diário. Então, o convite é sermos a representantes dessa cura. É determinar: isso acaba aqui. Tudo que essa história dolorida precisa é ser reconhecida. Ser vista. A partir daí, tudo pode mudar. Niravi Payne, aponta que “a verdadeira liberdade dos condicionamentos familiares negativos ocorre quando paramos de negar que agimos como eles.” As sombras só são fortes quando ficamos tentando aprisioná-las em uma caixa abandonada no escuro do nosso ser. É nessa dor. É nessa sombra. É em tudo que não queremos fazer e ser igual que está nosso maior potencial de cura. Porque quando tomo consciência e reconheço a existência, começamos a ser livres. Dra. Christine Nerthurp aponta que “pergunte-se como nos sentimos, pensamos, agimos e reagimos como nossos familiares, pois é aqui que está o começo da nossa separação e processo curativo.” O terceiro passo é ir atrás das raízes culturais familiares. Eu sei que o povo brasileiro é uma grande mistura de raças, então, talvez você se veja atrás de uma parte de si em cada canto do mundo ou do Brasil. Não importa! Faça a sua lição de casa. Seja como os grandes pesquisadores e arqueólogos e vá à caça dos tesouros que são sua grande herança genética e atávica. Através destas investigações, você começará a se conectar com a grande memória atávica, que nos leva a conexão profunda com todo o universo de lembranças e memórias profundas da nossa alma. Resgatando vivências de outrora e vidas esquecidas, porém, sempre presente. Entendendo certos gostos, preferências, caminhos tomados, aversões e paixões. De repente, vários cliques internos vão acontecendo. Começamos a entender porque fomos atraídos a certos grupos e tradições, porque somos fascinados por certos lugares e porque certos países e culturas nos fazem sentir como se estivéssemos em casa. Então, da ancestralidade mais próxima, que é a nossa família atual, vamos caminhando pelo fio da tessitura do universo, que nos leva até a ancestralidade primeira. De registro a registro, mergulhamos na história da humanidade, e nos reencontramos e entendemos a cada passo. Honrando não só as grandes mitologias, tradições e civilizações que nos encantam, fascinam e são os desígnios da nossa mais profunda devoção, mas aprendemos a honra nossa história familiar, os padrões kármicos da nossa família e também porque estamos onde escolhemos estar. Pois, somente através do reconhecimento e conexão com nossa história é que podemos abrir espaço para curar antigos padrões, limitações e experiências que acabam definindo e nos fazendo agir de forma negativas e repetitivas. Aprendendo as estórias de todos que já foram, podemos começar a trabalhar com todos os nossos karmas e samskaras. Uma oportunidade de crescimento, libertação e fechamento de ciclos. Honrar os ancestrais, visitar os lugares por onde seus parentes passaram, onde você nasceu e aprender sobre sua cultura, mesmo que você tenha escolhido não segui-la, faz parte do caminho da cura. Reconectar é abrir espaço dentro de nós, para o que havíamos esquecido ou rejeitado, mas que inevitavelmente faz parte de quem você é e da sua história. A negação, o esquecimento e a falta de conhecimento, vão inevitavelmente trazer um vazio, uma desconexão, uma sintonia estranha, que não permite que sejamos inteiras. Que estejamos completas. Aceitando e recebendo dentro de mim o que fui, de onde vim e quem sou, começo a caminhar em direção à completude. Agradecendo não só ao ventre de onde eu vim, mas a todos os ventres e a todos aqueles que sedimentaram a minha história, geração a geração, até as gerações futuras. Uma cura que beneficia os que já foram, os que aqui estão e é claro, todos aqueles que viram, sejam do seu ventre, sejam da vida.

A cura não virá como um passe de mágica. Porque tem dores que carregamos que são de todas as mulheres. Porque tem muitas coisas que são profundas. Mas, a cura virá da nossa intenção e busca diária. Cada passo dado será repercutido em retroativo e adiante de nós.

O quarto passo é o convite ao processo curativo que é o levantamento e criação da nossa árvore ginecológica, como eu chamo, e que Niravi Payne, a criadora do Ephistogram, chama de processo empoderador. Para que você faça um histórico da saúde física e emocional familiar das mulheres, que diagramará padrões familiares. Que irá ajudar a entender quais circunstâncias através das décadas, podem ter causada em você e a você a experenciar problemas reprodutivos, ginecológicos, emocionais, comportamentais, espirituais e de relacionamento. Invocação aos Ancestrais: Abro meu coração e permito receber os dons dos meus ancestrais. Abro meu coração e reconheço que ainda há muito que aprender. Abro meu coração e deixo fluir a seiva da sabedoria que levou gerações para se fortalecer. Abro meu coração e rompo com os padrões destrutivos que me prendem a comportamentos nocivos e repetecos corrompidos pela dor, sofrimento e desamor. Estes já não existem mais. Abro meu coração para que o amor cure as feridas dos meus ancestrais, cure o ventre das minhas ancestrais, cure o corpo das minhas ancestrais e preencha os fios que me ligam a elas com o amor curativo. Abro meu coração para rescrever a história da minha linhagem. As dores e desamores já não precisam mais serem repetidos, porque de agora em diante, estou livre para trilhar caminhos mais belos. Abro meu coração, para que tanto eu, quanto as forças dos meus antepassados sejam abençoados com a chuva cristalina violeta. Que onde haja: energia desqualificada, desequilibrada e má intencionada, haja de agora em diante e em retroativo: amor, amor e mais amor. Que a chama violeta transmute todas as antigas experiências dolorosas, perdas e danos, feridas abertas e não cicatrizadas, todos os corações massacrados, todas as almas corrompidas, todas as mulheres que foram vítimas de violência ou que violentaram, todas que tiveram seus corpos violados, suas vozes silenciadas e suas almas sufocadas. Peço em nome da Divina Mãe e do Amor Divino, que sejam neste momento purificadas pelo fogo transformador para que das cinzas possam renascer. Peço pela cura de todas as minhas ancestrais. Peço que seus corações sejam curados. Peço que seus ventres sejam curados. Peço que seus sentimentos e emoções sejam curados. Peço que as dores delas que carrego em mim sejam curadas e que eu seja liberada de toda carga negativa. Peço que sua luz e seus poderes sejam restaurados. Para que brilhem na luz do Amor da Mãe Divina, e que sejam livres mais uma vez para seguirem seus caminhos em Paz, com Amor e de forma Respeitosa a Si e a todos Estou livre dos erros do passado Estou livre agora. A tocha da ancestralidade dentro de mim está novamente acesa. Estou amparada pelo amor e asas protetoras das minhas ancestrais curadas e fortalecidas Estou amparada e nutrida pela inspiração, sabedoria e dons das minhas ancestrais curadas e fortalecidas. Seguimos juntas curadas e fortalecidas novamente em posse do Feminino Sagrado dentro de nós. Está selado e decretado! Que seja assim para mim, Que seja assim para você, Que seja assim para nós! E assim o é agora, amanhã e em retroativo. Que assim seja!    

Imagem: desconhecido
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