Eu me senti por muito tempo manca. Incompleta. E girando como uma barata tonta ou melhor, como uma abelha operária, trabalhando sem fim e resultado algum. A vida era uma grande batalha eterna, que nunca me levava para lugar algum.

Por outro lado, eu me sentia uma mendiga espiritual. Estava vivendo o meu propósito com todo amor, entrega e serviço, mas, uma parte da espiritualidade estava faltando. A parte da conexão e manifestação de tudo que estava sendo cultivado em meu interior. A conexão do feminino abundante que há dentro de nós, com o masculino que nos impulsiona para a realização e o sucesso.

Eu vi e ainda vejo, em todos os meios de alguma forma ligados à espiritualidade e especialmente aos trabalhos com o feminino, uma total ausência da energia saudável com dinheiro e por extensão, com o pai e o aspecto do masculino que há em nós. Vejo muito movimento de que tudo tem que ser gratuito, quase como se cobrar fosse um pecado e somos punidas por uma inquisição de mulheres que ficam vigiando àquelas que cobram por seu trabalho. Afinal, é um trabalho também. E cobrar não torna ele impuro ou menos digno do que quem não o faz.

Eu passei muito tempo nesse lugar. Cobrando muito pouco. Mendigando alguma troca ou barganha para conseguir fazer alguma coisa que desejava e vivendo muito mal. Sem conseguir fazer nada além de pagar contas. Isso, quando isso era feito de forma tranquila. Porque na maioria das vezes não era.

E demorei muito, para perceber que havia algo de errado por aqui. Que este paradigma de querer tudo de graça é algo que há no Brasil como um todo. E reflete milhões de problemas, porém, quando se trata de trabalhos espirituais, a coisa piora muito! E isso, me lembra um dizer do Aurobindo:

O dinheiro é um sinal visível da força universal, e esta força em sua manifestação na terra trabalha nos planos vitais e físicos e é indispensável para a completude da vida externa. Em sua origem e verdadeira ação, ela pertence ao divino.

Este dizer me tocou muito, na primeira vez que li. Porque vi o quanto distanciamos o dinheiro dos mundos sagrados e mais elevados. Sendo que faz parte de vivemos uma espiritualidade completa e realmente realizadora. Porém, para que isso aconteça, é preciso unir masculino com o feminino. Percebi, que enquanto estive muito focado com o sagrado feminino, estava acionando apenas uma parte de mim mesma e do meu poder de manifestar e realizar. E foi só quando, comecei a mergulhar nos estudos do sagrado masculino, que o universo do dinheiro, das finanças e dos negócios, começaram a se abrir de verdade para mim. E de uma forma muito bonita. De uma forma de forçar você a vir para a verdadeira responsabilidade pelo que cria, deseja e manifesta na vida. O masculino é a exteriorização da tua abundância, riqueza e beleza interior. É trazer Lakshmi para o mundo.

E foi assim, que de repente, sai do lugar de mendiga e me tornei digna de celebrar minha vida. Continuar servindo mas de um lugar onde não precisava carregar essa cruz do sofrimento, da culpa por querer viver bem e do pecado por estar cobrando por algo que é meu trabalho, meu ganha pão, minha vida como um todo, e que é uma conquista de todo o altíssimo investimento que fiz ao longo dos anos.

Eu estou cansada de carregar essa culpa, sujeira, pecado que as mulheres carregam desde épocas imemoriais, como nossas ancestrais Eva, Madalena e Lilith. Eu não estou mais à sua disposição. Eu sirvo ao bem maior e posso viver em liberdade desses padrões que nos restringem, nos puxam para baixo e nos limitam como seres humanos. Nós mulheres somos imensamente criativas, somos realizadoras e somos muito merecedoras de usufruir do que plantamos, sem alguém apontando o dedo para nós, dizendo que está errado ou que somos menos por fazer isso.

Esse sábado, no curso RicaMente Livre, estudando finanças para mulheres, com as queridas do Batom no Azul, só reforçaram algo que sempre acreditei. Nós podemos todas fazer o que amamos, sem perder o propósito maior e não precisar lamber o chão que vivemos para fazer isso. Chega de cruz. Chega de apedrejamentos. Chega de andar nos farrapos do sagrado e da espiritualidade. Dinheiro não é um mal como disseram. Riqueza é reflexo de um composto de todos os níveis internos funcionando bem.

Dinheiro é um símbolo físico de dois profundos princípios dentro da energia de Lakshmi: o princípio do valor e o princípio de dar e receber – a troca de energia que está presente em todos processos de troca neste mundo físico, aponta Sally Kempton. E foi tornando-me terapeuta de BodyTalk que me dei conta como o saldo estava bem negativo para mim, neste quesito de dar e receber. Eu estava dando até minha alma e última gota que tinha e recebendo muito pouco. Porque a troca faz parte de um equilíbrio muito maior do que o bem que se faz quando recebe-se o maravilhamente de ver uma pessoa no seu potencial, ficar bem ou se curar. A troca, precisa ocorrer em diversos níveis, porque senão, ficaremos para sempre mancas…e vendo as contas nunca fecharem – nem no físico e nem no espiritual.

Vamos ressignificar nossa relação com dinheiro?”
Vamos pensar fora da caixinha?
Vamos pensar todos os paradigmas e crenças que carregamos da nossa cultura e sociedade?
Que modelos nos seguimos?
Por que vemos o dinheiro como algo que desespiritualiza ao invés de algo que potencializa?
Por que o dinheiro assumiu o papel de servidor do diabo e sinônimo de pecado?

Apenas ofertando algumas coisas para vocês pensarem, pois minha vida mudou muito quando me abri para VER DIFERENTE.

Eu queria, e ainda quero, que todas as minhas alunas dos trabalhos com Sagrado Feminino e Deusas, venham fazer esse curso, porque é empoderador! E acima de tudo, é uma forma de começar a trabalhar com o masculino em nós, algo que eu estou muito engajada em fazer! Então, vamos que vamos….vou tentar trazer elas de novo em breve 

Um beijo no coração!

Imagem: arquivo pessoal
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