Eu não costumo ter muitas cólicas durante a menstruação. Ao longo da minha vida cíclica, consigo lembrar de todas as vezes que as tive e como foram muito pontuais. Costumo ter mais cólicas na ovulação, quando ela acontece no ovário esquerdo. Porque esta ovulação é sempre muito forte – é tipo ovulação de trigêmeos!

Porém, sei que muitas mulheres sofrem com cólicas desde moderadas até incapacitantes durante o período menstrual ou uns dias antes. E resolvi compartilhar algumas dicas de práticas que você pode experimentar durante este período, tanto para prevenir quanto para passar pelas cólicas. Percebi, observei e investiguei que o que funciona muito durante este período, e tudo que funciona também para o alívio do parto. Afinal, não são contrações de parto, mas para algumas até são, de tanto que doí que prefeririam estar parindo alguma coisa mesmo! Talvez, bem…talvez…estejam. Vale a reflexão.

Bem, partindo do princípio que usei por muitos anos em preparações das minhas alunas para o parto, é que a idéia é abrir. É soltar. É permitir. É deixar ir. Então, usemos este princípio também para a menstruação. Perguntando-se.

  • Será que estou deixando ir?
  • O que será que estou segurando?
  • Por que estou resistindo tanto e tensionando, lutando contra esta abertura, esse soltar?
  • Ao que estou tão apegada que não quero soltar de forma alguma?
  • Por que dói tanto deixar ir?

Depois que você se fizer essas perguntas, é hora de começar a entrar em contato com o abrir. Soltar. Liberar. Desapegar. Porque toda menstruação é uma morte. Um fim. Uma entrega. Acima de tudo, para mim, uma permissão. Então, você pode começar por algo muito simples que é seguir o fluxo e a direção do sangue menstrual e ajudar a soltar e deixar ir. Você pode tanto assumir a postura de cócoras (se isso for okay para seus joelhos), quanto simplesmente sentar na postura da borboleta e concentrar-se em imaginar, visualizar, sentir e ter consciência do fluxo. Do útero, pelo cérvix, pelo canal vaginal e em direção da terra. Fique sentindo e visualizando e observando se há interferências neste processo, bloqueios e tensões.

Segundo passo, é a EXPIRAÇÃO. Que também é nosso portal de deixar ir, desapegar e soltar. Então, você pode aliar a visualização anterior à expiração. Muitas vezes, quem tem cólicas, tem dificuldades de desapegar e também de expirar…(nem sempre, porque não dá para generalizar). Então, treinemos soltar o ar o mais longamente possível e quando o fizer, tente relaxar de cima para baixo. Desde o maxilar e a língua dentro da boca, até o pescoço, ombros, abdômen, ventre, útero, esfíncteres e vaginas. Sempre com a consciência de deixar ir, soltar, PERMITIR.

Você pode aliar a isso tudo ou focar apenas na soltura do maxilar, da boca e da língua. A boca e a vagina estão completamente ligadas. Quando estamos com cólicas, geralmente, o maxilar está tenso também. Por isso, que quando fazemos amor, beijamos, para relaxar a vagina e lubrificar. Facilitando ou melhor – dando PERMISSÃO AO ATO. O mesmo, precisamos e podemos fazer com a menstruação. Precisamos dar permissão para ela acontecer. Então, massageie toda a região do ATM com movimentos circulares, toda a região atrás das orelhas e deslizando até o queixo. Deixando os lábios entre-abertos ou melhor ainda, fazendo caretas, como na ginástica facial ou pondo a língua bem para fora, a la estilo Kiss! rs Sim, é para soltar. É para rir. É para relaxar! Vá observando como lá embaixo, vai tudo ficando mais relaxado também!

Outra coisa que ajuda muito, assim como no parto, que as mulheres gemem e fazem seus uterinos, durante a menstruação você também pode e deve fazer! Muitas vezes, são anos de crenças e paradigmas negativos com relação à menstruação anos de repressão que você carrega no seu útero, de dores, de violências, de mágoas, de tristezas ou de estresse acumulado. E nunca damos espaço para o útero colocar isso para fora e sentir. Quando a cólica vem, e o útero acha uma forma de sintetizar e liberar o que está guardado nele, não deixamos. E ele não aguenta! Então, aconselho muito você, principalmente se estiver com cólica, DAR VOZ AO SEU ÚTERO. Ponha na playlist aquelas canções que cantamos embaixo do chuveiro, porque sabemos a letra toda, que faz a gente soltar o gogó! Ou simplesmente, entoe mantras, faça orações ou CANTE SEU NOME! Sim, há diversas tradições onde cantasse tanto as vogais do seu nome quanto o nome completo para que lembremos quem somos em nossa matriz e de onde pertencemos. E isto é muito forte no período menstrual, a conexão com o útero e de onde viemos, e também há matriz – o grande útero da Mãe Divina e Grande Deusa.

Para finalizar, pode ajudar muito também, posturas de alongamento e relaxamento e danças muito suaves, onde você solta e massageia o quadril e todas as regiões do corpo. Quase como uma oração com o corpo. Um reverenciar. Um acalentar. Que podemos fazer também com as tradicionais massagens, descansos, banhos e bolsa de águas quente. O útero precisa ser acalentado, honrado, lembrado e acolhido, com muito amor, respeito e compreensão. Ele deveria ser nosso grande parceiro de vida e não inimigo. Então, espero que essas dicas ajude você a estabelecer parceria e um vínculo com seu útero, sua menstruação, seu corpo e o feminino que só quer ter VOZ, ESPAÇO E PERTENCIMENTO EM VOCÊ.

Se desejar se aprofundar nessas e em outras sabedorias do seu ciclo e corpo feminino, junte-se a mim para o curso online – Programa a Mulher Cíclica que começa agora dia 21.07.17.

Imagem: Heidi Chadwick
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