É muito comum, associar ser mãe à maternidade de um filho ou até ao instinto maternal. Porém, ser mãe é algo que engloba muitas coisas dentro de nós. Está ligada à plenitude, à nutrição, à abundância, à fertilidade, à capacidade de criar, gerar e parir seus filhos, sonhos e projetos, assim como também está associada à educação, instrução, direcionamento e capacidade de fazer com que um outro ser desabroche para todo seu potencial. É o feminino em seu estado de verão, totalmente fértil e em puro potencial, à extroversão, aos relacionamentos e vínculos que formamos, ao coração e capacidade de sentir, assim como também à necessidade de cuidar, ajudar e salvar, muitas vezes o mundo. Assim, como também é a capacidade de persuasão, sedução, liderança e comando, firmeza e influência. Porque a mãe tem muitas facetas: ela pode ser boa e pode ser feroz. Ela pode ser tudo isso e muito mais, porque ela é aquilo que é necessário ser para ajudar o outro e o mundo a ser também o seu melhor.

Mas, uma das grandes equivocações com este aspecto do feminino é tentar determinar e afirmar que a mãe tem que sempre se doar e abrir mão de absolutamente tudo (lê-se: de si mesma) para os outros (lê-se: seus filhos – não só de criação). Então, a mulher passa a vida inteira fazendo tudo para todos, da família e da sociedade, e esquece-se completamente de si. Porém, gosto da frase que diz, que por detrás de uma mulher que abriu mão de tudo, há um monte de pessoas que não a deram suporte. Sim, porque essa é a verdade. Não há romantismo nisso.

Já que estamos falando de mãe, precisamos falar desse movimento. De como, essas mulheres podem ser mãe de si mesmas, e oferecerem para elas o que oferecem ao mundo. Já pensou quão magnífico isso seria? Teríamos mulheres nutridas e não sugadas até não sobrar mais nada. E não são somente mães com filhos que passam por isso, são absolutamente todas as mulheres, porque ficou no inconsciente coletivo que mulher é quem serve, quem cuida, quem faz, quem nutre, que acolhe e etc.

O convite hoje é para você fazer tudo isso por você!

  1. Já percebeu como pode ser difícil dizer não? Pois é. Pode ser um dos grandes aprendizados das nossas vidas dizer essa palavrinha tão poderosa. Porque ela nos ajuda a colocar limites para os outros e também para nós mesmas. Para percebermos quando já fizemos demais por alguém e quando é hora de fazer por você. Teríamos que ter esse tipo de equilíbrio diário. Só assim, espantaremos de dentro de nós, aquele bicho da culpa, que fica gritando nas nossas orelhas todas as vezes que vamos cochilar, todas as vezes que deixamos os filhos para sair ou quando vamos trabalhar ou fazer um curso, ao invés de ficar a disposição 24 horas da família. Isso é nocivo.
  2. Você não é uma mulher maravilha que precisa dar conta de absolutamente tudo. Precisamos abrir mão dessa programação que faz com que fiquemos 24 horas ocupadas, a serviço de todo mundo e do mundo. Um grande exemplo começa em casa. A mulher não foi geneticamente feita para ser dona de casa tempo integral, porque é natural e normal dividir as tarefas. Precisamos desconstruir a ideia de que o homem é incrível quando ele ajuda a lavar louça ou trocar a fralda do filho. Assim como as coisas são colocadas como se fossem obrigações da mulher cuidar do lar e da família, quando é obrigação de todos cuidar daquilo que usa, ou seja, dividir as tarefas domésticas. É simples. Se você mora em uma casa, você tem que cuidar dela. Ponto final. Todo mundo. A mesma coisa com os filhos. Todo mundo que é responsável por aquela criança tem que cuidar dela. E não é um favor. Pai tem que cuidar. É responsabilidade. É o mínimo, e não merece um cookie por conta disso.
  3. Precisamos deixar de lado essa ideia de que nunca seremos o suficiente. Você tem a sensação que por mais que faça nunca é o suficiente? É como se tudo que você fizesse tivesse atrelado a aprovação, reconhecimento e reflexo de dedicação. Afinal, não é assim? E ficamos fazendo de tudo e um pouco mais, para provar que podemos. Para provar que conseguimos. Para provar, para quem? Nós já somos o suficiente! Agora, neste momento! Esse movimento de tentar suprir algo é levado por conta de um tirano interior que habita em nós. Que fica nos cobrando o tempo todo. Como uma bomba relógio pronta para explodir. Vamos juntas jogar ela no mar? Não nos serve mais…
  4. Eu preciso saber dividir as obrigações e ter dentro do meu dia tempo para mim. Fazer coisas que eu, somente eu gosto. E tempo para simplesmente ser. Sem estar ocupando o tempo com alguma coisa. Porque estamos tão viciadas em fazer, que quando paramos, e temos um tempo livre, lá vamos nós fazer alguma coisa. Quando o corpo precisa dormir, descansar ou simplesmente, sentar no jardim e ficar ali. Sentindo. Respirando. Fazendo parte. Separar momentos de vazio é abrir espaço para nossa verdadeira nutrição. Se queremos acionar a força da mãe em nós, e aquela que nos lembrar do que precisamos, quem somos e onde estamos. Pare. Simplesmente pare. É aquele momento de se educar e disciplinar. Perceber que você é importante, e que a culpa que faz com que esses momentos não existam na sua vida, na verdade, são fabricação de uma sociedade doente e que só para quando adoece de exaustão, porque vive de uma maneira totalmente anti-natural. E, nós sabemos que só paramos, muitas vezes, quando o corpo para. Não há algo errado por trás disso? Sim, há. O esquecimento de nós mesmas em função do serviço ao mundo e ao outro. Eu sei muito bem disso, porque estou vivendo isso. Sendo obrigada a parar de fazer, porque meu corpo está simplesmente parando. Então, não podemos ser assim, o feminino não é assim, nada na natureza é assim. Todos sabem quando parar. Todos tiram momentos para se isolar. Porque sabem quanto isso é necessário.
  5. Aprender a viver o que cada fase do seu ciclo te pede, principalmente a fase da mãe, que é a nossa ovulação ou a lua cheia. Entao, cuidar do seu corpo com massagens, com descanso, com expressão da sua essência, seja através da arte ou de algo que faz sentido para você. Comer bem. Cuidar do seu corpo e da sua saúde. Cuidar da sua mente e das suas emoções para não ficarem acumulas e explodirem: dentro ou fora. Saber dizer não. Saber dizer sim para você mesma. Sair sozinha mais. Fazer coisas com amigas/amigos e cursos, estudos e aprendizados que te inspiram e nutrem. Deixar que outros cuidem de você. Aceitando ajuda. E também, delegando e distribuindo funções, caso ninguém se toque! Desde pequeno. Isso tem que ser hábito em cada casa e lar, desde sempre. Nada pior do que uma mulher que diz que tem vários filhos e entre eles está o marido. Pelo amor, ele é um homem crescido! E se não é, tem que aprender a ser! Ou volta para mãe! Uma mulher precisa de aliados ao seu redor. Pessoas inteiras, desde pequenas! Desde sempre! Por ela e pelo mundo!
  6. Una-se com outras mulheres. Da sua família e também em grupos e rodas. É essencial ter esse suporte. Porque lá nos nutrimos umas com as outras. Com nossas histórias e com o que recebemos através o convívio. Quando estamos juntas, movimentamos a occitocina dentro de nós, o amor do vínculo e do amor. Assim como também percebemos que não estamos sozinhas. Saímos fortalecidas e prontas para cuidar melhor de nós. Outra coisa, é voltar-se novamente para o Feminino dentro e fora também. Conectar-se com a Mãe Terra e com os ciclos da lua. Assim como resgatar as deusas e as divindades femininas, porque elas, foram elas, que desde tempos imemoriais, onde o Deus era a Mãe que quando estávamos em nosso ápice de nutrição interior. Porque, quando voltamos à fonte, que é o próprio feminino, pronto, encontramos novamente nossa Mãe e através dela, nos encontramos para sempre!

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