O Yoga chegou primeiro na minha vida. Antes de qualquer coisa. Lá estava o Yoga. A minha espera ou eu a espera dele. Não importa. Tornou-se parte da minha vida e muito de quem eu sou. Ajudou-me a aprofundar-me em tudo que veio depois. Como se fosse a grande base e fundação da minha própria existência. Tudo que veio – somou, integrou e fortaleceu. E assim, o Yoga nunca me deixou, porque eu nunca deixei-o. Porém, com o avanço dos anos e com todos os demais conhecimentos que vieram agregar a minha vida e também ao próprio Yoga, senti que era preciso fazer uma adequação. Que este Yoga precisaria também, seguir o mesmo caminho que o resto da minha vida – o caminho do Sagrado Feminino.

Foi então que começou o processo de sentir e perceber como o Yoga iria se adequando a natureza feminina e modulando a prática através das necessidades das mulheres. Tornar o Yoga totalmente para mulheres. Não que nunca tenha sido antes, porque o Yoga sempre foi para a humanidade. Mas, resgatando o que foi-se perdido ao longo desses tempos patriarcais. Resgatando o Feminino. Resgatando as Deusas. Resgatando a Sabedoria da Terra e da Lua. Por isso, que o Yoga para Mulheres surgiu. A minha iniciação em Moon Mother, ajudou-me infinitamente à adequar as práticas de uma forma ainda mais profunda e sutil, realmente respeitando nossa natureza e através da movimentação e mudança lunar introduzir o yoga. Porque é o yoga que deve se adaptar a nós. Com muito mais do que apenas posturas que são mais adequadas ao ciclo feminino, mas tornando a própria prática esse CICLO FEMININO E LUNAR.

Por isso, que assim, como apresentou as mulheres as quatro fases arquetípicas do seu ciclo menstrual, também as apresento as quatro fases arquetípicas dentro do próprio yoga. Tornando-se uma grande experiência de reconexão com o Sagrado que habita em nós. Porque se tem algo que é da tradição do Feminino, é o habitar no corpo, honrar as energias femininas que se manifestam nele e através dele e com ele, alcançar a divindade e a totalidade.

Sendo assim, a prática evolui dentro do mês, com 4 etapas principais, que abraçam as diferentes fases e necessidades do feminino que se manifesta em nós. O Yoga segue o curso da lua e das estações, assim como também, as manifestações da Deusa. Seguindo, mais ou menos assim:

  • Lua Crescente: Sati: Donzela: Primavera: Foco: Força de Vontade: A árvore que almeja os céus e está ancorada no mundo: Eu Posso e com minha força de vontade acendo meu fogo interior
  • Lua Cheia: Parvati: Mãe/Amante: Verão: Vinculação: Coração: Sentir: A árvore que dá frutos na Terra e o compartilha com o mundo e se relaciona com os demais: Eu Sinto e sou capaz de compartilhar e me relacionar de coração para coração
  • Lua Minguante: Durga: Feiticeira: Outono: Mente Criativa e Construtiva: Transgressão: A árvore que se liberta daquilo que não é e cria sua existência no mundo: Eu Sei que sou feita de luz e sombra e abro-me para o profundo conhecimento e reconhecimento daquilo que é ilusão e daquilo que é verdade.
  • Lua Nova: Kali: Bruxa:-Anciã: Inverno: Útero: Vida e Morte: Essência: A árvore que se recolhe nas profundezas da Terra, enraizada naquilo que Sou: Eu Sou que estou com minha raízes conectadas à terra, aberta à magia da lua e manifestando às deusas em mim.

A ideia é que o Yoga traga a vivência daquela energia, daquela força e do poder do feminino (shakti) que existe dentro de nós naquela fase. O Yoga evolui junto com a mulher e a mulher experimenta e lembra-se que ela é essas quatro “mulheres” dentro de um só mês e que é natural, saudável e orgânico vivênciá-las e trazê-las a tona. Sendo que há uma disciplina dentro do mês, desde que sigamos a nossa orientação feminina que é nossa própria natureza e nossa porta de entrada no Divino. O Yoga que convida e honra as Divindades Femininas, em cada postura, cada respiração, cada exercício de purificação, cada mantra e em cada meditação.

Assim, como também fora, também somos dentro. Um Yoga de Progressão. Onde sentimos o ápice das nossas próprias energias, capacidades e possibilidades na Lua Crescente, no vigor da prática, no desafio e nas descobertas, até o momento do profundo recolhimento da escuridão e da semente que volta-se para a Terra para renascer novamente, quando o ciclo se inicia. Para que as mulheres se lembrem quem são e do que são feitas. Um Yoga que é para você. Cíclico, mutável e modular. Um Yoga que entende a natureza feminina, que abraça a sabedoria lunar e terrena. Para que a Shakti que habita em nós, em suas diversas formas, possa mais uma vez, encontrar o Shiva, em direção a libertação da alma e mergulho na Unidade.

Experimente essa forma de praticar e condução da prática, que honra profundamente as raízes da tradição sem deixar de honrar a mulher que eu Sou. Método exclusivo e somente no Hatha Yoga Studio.

 

Imagem: Ana Paula Malagueta
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