Impressionante como continuamos fechando os olhos ou rindo do fato de uma mulher  sofrer um abuso ou ser vítima de uma violência. Em uma sociedade patriarcal e machista acabamos nos subjugando a falsos conceitos.

Uma coisa tem que ficar muito clara: não é só porque estou com meu corpo a mostra que você tem algum direito sobre mim; não é só porque estou sendo simpática que você tem algum direito sobre mim; não é só porque uso roupas curtas que você tem algum direito sobre mim.

Precisamos parar de achar graça quando um homem passa a mão em uma mulher só porque ela estava de vestido curto ou com parte do corpo amostra. Precisamos parar de confundir assédio sexual com a falsa afirmação de que ELA ESTAVA ME PROVOCANDO.

A mulher tem o direito de se vestir da forma que desejar porque o corpo é dela. E deveria ser sua prerrogativa fazer dele o que bem entender, sem ter que ser assediada ou até mesmo estuprada.

Assim, como em outros casos, uma mulher tem o direito de ser tratada de forma humanizada e respeitosa quando está exposta e vulnerável durante seu trabalho de parto. É violência quando você trata uma mulher de forma infantilizada durante o parto, chama-a de mãezinha, manda-a não gritar ou chorar, mente, agride verbalmente, quando é largada sozinha em uma sala fria sem seu marido ou sem direito de ter uma acompanhante (doula), quando se realiza procedimentos sem pedir sua permissão, quando realiza cesáreas desnecessárias por falsas razões, quando desmerece-se a capacidade fisiológica e inerente da mulher de parir e de saber o que se passa em seu corpo.

A lista é longa. A excelente matéria Na hora de fazer não gritou, é um levantamento assustador da violência obstétrica no Brasil. Porém, não podemos esquecer que esta é somente uma das facetas do vírus da permissividade que existe em nossa sociedade. Continuamente encobertando e encontrando desculpas e justificativas para a violência contra nossos corpos, mentes, valores e vontades, direitos e humanidade.

Precisamos reconhecer a violência que é perpetuada contra as mulheres desde tempos imemoriais e erradicar de uma vez por todas estas ervas-daninhas. Primeiro, em nós, depois em nossas famílias e círculos de amizades e então, na sociedade na qual vivemos.

Não podemos ser coniventes com o machismo. Crer que uma mulher que apanha do marido é burra ou fraca. Que aguentar um casamento ou um relacionamento com um homem que a ofende e desmerece é normal. Que levar cantadas ofensivas é elogio.

Precisamos reconhecer que atos ditos comuns são na verdade: atos de violência contra a mulher.

Imagem: Roberto Ferri
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