A natureza é a natureza de cada mulher. Nós não somos apenas uma estação. Nós somos todas as estações e as estações somos nós. Isso, não serve apenas para as mulheres que estão ciclando, ou seja, vivendo seu ciclo menstrual. Funciona tanto para elas, quanto para as mulheres na menopausa. Para as que não tem mais útero ou estão utilizando anticoncepcional. E, principalmente, para as grávidas, que estão gestante seus seres de luz. Servindo como esse grande canal e portal, onde a vida se faz, desenvolve-se e prepara-se para sua jornada heróica, que é viver.

No entanto, esta vivência das gestantes é bem diferente das mulheres que estão em outros momentos das suas vidas. As estações são para elas, marcos específicos dos trimestres gestacionais. São passagens, são ritos, são transformações profundas e eternas. E começam, muito, mais muito antes da confirmação da gravidez.

A Primavera da mulher grávida, se inicia, antes da gestação corpórea. Em algumas tradições é dito que a mulher já se faz grávida antes mesmo de estar grávida. Porque nos sintonizamos, preparamos e nos dispomos a este estado, antes de está-lo conscientemente e fisicamente. Vamos usar os trimestres como uma média. Então, consideremos que os três meses anteriores à gestação propriamente dita é o período de inverno da mulher. Onde ela se volta para seu interior e sonha a gestação e do seu sonhos, as sementes das suas mais profundas e sinceras intenções, desejos, propósitos e visões de ser mãe e do seu bebê, são plantadas nas profundezas da sua alma. No campo energético uterino e ela começa a ressoar essa vontade profunda. O bebê começa a ressoar com ela. Ambos se atraem e se dispõem a se encontrar, para trilhar essa aventura juntos. Ambos se abrem. Ambos se permitem. Ambos se desejam profundamente, por mil razões, motivos e maneiras.

Nos três meses seguintes, onde a gravidez é confirmada. É a fase da Primavera. Onde aquilo que foi sonho. Que foi jogado na terra como uma possibilidade de dar certo e vingar, de fato vingou. A semente está lá, dentro da Terra, germinando e preparando-se para brotar, crescer e desenvolver-se. Vir a ser. A mulher carrega um potencial. O potencial da vida. O potencial da humanidade. O potencial do recomeço. A Primavera é a novidade da gestação. A surpresa. A criança que virá a ser filha e que tornará e irá fazer dessa mulher – uma mãe. É o novo. A semente. A donzela carregando a luz da humanidade. A criança divina. O milagre da vida.

Conforme a gestação se torna uma realidade após as 13 primeiras semanas, que muitas vezes, parecem durar uma eternidade e trazerem diversos sintomas, pois o corpo e a mulher estão se ajustando para que dois corpos e almas convivam como um e encontrem seu ritmo e entrem em sintonia, ambos começam a se desenvolver. A mulher grávida então, se torna o próprio corpo da Mãe Terra, que desabrocha e adentra sua máxima plenitude. É pura energia. É pura vitalidade. É pura luz. É o verão. Onde a árvore, as flores e os animais estão em seu ápice de abundância e beleza. A mulher está radiante e seu bebê segue feliz agora, já formado, apenas desenvolvendo-se, crescendo e fortalecendo-se. Ambos, tornando-se mais redondos como a Terra. Fartos. Iluminados. É a sustância da vida que se faz presente, consciente e expande-se. A fruta que segue até estar madura e despontar, caindo direto do pé em nossas mãos. Ou braços, da mulher que embala sua criação.

No trimestre final, a mulher segue rumo aos últimos passos dessa jornada. Ele pode ser mais longo e árduo. Pode ser curto e rápido. Cada bebê precisa de um tempo específico para cumprir sua maratona. Cada mulher precisa de um tempo específico para se abrir para deixar que suas folhas, suas flores, suas frutas, seus sonhos, propósitos, desejos e expectativas tornem-se realidade e caiam sobre seus pés – em sangue, em suor, em lágrimas. A árvore que chora e debulha-se. As pétalas que desprendem-se. As frutas que ricas e pesadas caem, por já não conseguirem mais se sustentar e segurar. Então, o bebê se faz pronto, e como tudo no Outono, desprende-se da Árvore da Vida que é sua mãe e decide vir do alto do céu dos desejos e sonhos dos seus pais, e vir, com toda força, com todo seu desejo e vontade, passar pela caverna escura e profunda do feminino selvagem, visceral e escuro, e do ventre da Terra, nascer para a humanidade. Tornar-se um.

Gritos. Gemidos. Puxos. Pés fincados no chão. Sangue. Suor. Lágrimas. Escuridão. Atemporalidade. Vozes. Coração. Vísceras que se viram do avesso. Mulher que se parte. Mulher que morre para a vida se fazer. Mãos que amparam. Mãos que acalentam. Seios que aconchegam. Olhares que atravessam. Canções que recebem. Famílias que nascem. Uma vida que começa. Uma Terra que pulsa ao ritmo de mais um filho que dela cresce.

O trimestre que se segue após deixar o útero, deixar de ser lagarta e virar borboleta, com esforço e cooperação, é a exterogestação ou quarto trimestre, onde a vida continua se desenvolvendo com muito cuidado, certo estranhamento e curiosidade pelo mundo que se revela. Mulher que se recolhe. Mulher em quarentena. Mulher que se revitaliza e renova. Que ao nutrir seu bebê, nutre a si mesma. Recupera suas forças conforme o bebê ganha a dele. Torna-se mais viva, conforme a vida pulsa, interage e marca sua presença. Olhos nos olhos. Dedos que a buscam. Choro que clama por sua presença. Útero que ainda pulsa e é necessário. Vital. Crucial. Pois é tudo que o bebê conhecia. Todo seu mundo. Seu castelo encantado. Onde em suas paredes ainda ecoam a sinfonia do coração de sua mãe. A canção que o trouxe a vida. E aqui, seguem juntos. Ao redor do fogo sagrado da Mãe Divina. Recolhidos na Caverna do Feminino Profundo que cuida dos dois. Mãe e filhos. Para que possam estar fortes o suficiente. Para que se enamorem pelo tempo necessário. Para que juntos, deem as mãos e saiam para a primavera da vida, que os aguarda para irradiar Luz e Esperança para toda a humanidade.

Imagem: Inner Child Tarot Cards 
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