Há uma grande resistência com relação à palavra sexualidade e à exploração da mesma. Muitas vezes, o que afasta as mulheres da sua própria sexualidade é a falsa idéia de que ela depende do outro para existir. Ou seja, diminuo a sexualidade apenas à expressão e construção do ato sexual. O que não é verdade! Outras questões que nos afastam dela, é também os falsos pré-conceitos, dogmas e valores de que a sexualidade e sua plena expressão é considerada coisa de “mulher que não se dá ao respeito”, e entramos na ruptura que houve-se entre a esposa x amante, ou Hera (rainha/esposa) x Afrodite (livre/amante). E aquele falso conceito que deve-se ser como uma puta na cama e como uma lady ao lado do marido. Por que separar? Por que fragmentar?

Todos esses conceitos de que o sexo é sujo, pecaminoso, vulgar, obsceno, apenas para procriação, ou objeto de luxúria ou até mesmo digno de punição e silenciamento, foi-se desenvolvendo ao longo dos séculos de patriarcado, de caça às bruxas (que copulavam com o próprio Satã), ou Lilith (que vinha seduzir os homens enquanto dormiam), ao sangue menstrual que é sujo e é proibitivo às mulheres entrarem em templos quando estão menstruadas, ou não podemos expressar nossa sexualidade livremente porque já somos tachadas da vagabunda, puta ou corre-se risco de ser estuprada, porque estava usando roupa curta, então estava pedindo, né?

Não! Não! E mais uma vez para fixar: NÃO!

Agora, é o momento para deixar tudo isso para trás. Toda essa bagagem que vem do nosso inconsciente coletivo e que está registrado em nossas memórias de muitas e muitas vidas passadas, e sim, atuais também. É hora de parar de ouvir o que dizem sobre nós e sobre nossa sexualidade e começar a descobri-la por conta própria.

Primeiro, vamos entender uma coisa bem básica:

A sua sexualidade não depende do outro. A sua sexualidade é sua, acima de tudo e antes de tudo. E é uma boa vivência da sua sexualidade, um compartilhar a vida com ela e descobrir suas formas de expressão em você que irá fazer com que tenha um bom compartilhamento da sua sexualidade com outra pessoa. Será que você já percebeu que a sua sexualidade se expressa por outros meios além do sexo? Sinta-se. Perceba-se. Conheça-se. Você irá ganhar muita vida quando entender que a energia sexual é sua e é muito maior do que apenas sexo. Essa é apenas uma via.

Segundo, as energias dentro de nós, são manifestadas de diferentes formas:

  1. Donzela: Lua Crescente: Primavera
  2. Mãe/Amante: Lua Cheia: Verão
  3. Feiticeira/Ceifadora: Lua Minguante: Outono
  4. Anciã: Lua Nova: Inverno

Sendo assim, e sexualidade oscila entre uma fase de brincadeiras e experimentação, ser a caça e a caçadora, entre momento de pura amorosidade, preocupação do que o outro deseja e dar prazer ao outro e até dormir de conchinha, a momentos de desejo e falta dele, assim como vontade do prazer pelo prazer, e momentos em que a sexualidade é mais espiritual e sua expressão mais plena e interiorizada. Isso, só para dizer algumas!

Conhecer essas quatro expressões faz-nos entender que a natureza da sexualidade, expressão e manifestação das energias femininos são cíclicas, ou seja, estão em constante mutação e não são lineares e estáticas como espera-se em um mundo norteado pela expressão solar. Somos lua. Somos estações. Somos muitas dentro de uma. E cada uma delas, expressa-se e tem necessidades diferentes. Precisamos nos aproximar delas dentro de suas maneiras. Uma é mais brincalhona e leve, outra é mais amor e acolhimento, seguinte mais sedutora e falta e a outra, mais espiritual e busca um encontro de alma. Ao invés de querer fazer sempre igual, e frustra-se pensando que há algo de errado com você, por que não fazer diferente e perceber que há muitas possibilidades e formas de fazer a mesma coisa?

Sabe o que é mais importante dentro desse esquema? O reconhecimento de que as mulheres em cada fase da sua vida tem uma forma de expressar sua sexualidade. E que ela não se torna “inútil” como já ouvi de mulheres, quando não podem engravidar mais e entram na menopausa, ou quando estão grávidas ou no pós-parto e acabam acreditando que os maridos vão buscar fora o que não encontram dentro. Como se a única expressão da sexualidade e do amor fosse através da penetração! Criatividade pessoal! Nós somos muito mais do que isso, e podemos demonstrar, excitar e relacionarmos de muitas outras maneiras!!! Toque, olhar, aromas, massagem, proximidade, palavras…o jogo da expressão sexual pede muito mais do que apenas penetração e um orgasmo rápido.

Outra questão, é compreender e aceitar o corpo feminino em cada fase. Vejo quantas mulheres lutam e brigam com seus corpos na gestação, no pós-parto e na menopausa. Todas com o mesmo discurso: Eu já não sou eu mesma! ou Eu sinto falta do meu corpo antigo! Bem, aquela que você era já não é mais. Porque ao invés de focar-se no que foi, explorar e descobrir o que você é? Este novo corpo, trará novos prazeres, novas possibilidades e um novo universo. Uma nova expressão de quem você é! O problema, é que ficamos aprisionadas no conceito de sermos e estarmos dentro de um padrão de beleza e atração (do outro) que é puramente masculino e isso faz com que você fique eternamente satisfeita consigo. Que tal, o padrão agora ser feminino? E você começar a fazer as pazes consigo, conhecendo-se verdadeiramente e descobrindo o que funciona para você?

Assim, você poderá compartilhar quem você é com o outro, por você e não pelo outro. São seres completos e íntegros que devem compartilhar seus corpos, desejos, sexualidade e vida. Não seres incompletos e mancos de si. Faça por você e com você primeiro (sim, a brincadeira foi intencional! Toque-se. Sinta-se. Liberte-se!)

Terceiro, precisamos conhecer as forças vitais que habitam em nós:

  1. Ojas: Vigor Primeiro
  2. Tejas: Radiância Interior
  3. Prana: Energia Vital ou Intuitiva

Dentro dessas três energias iremos encontrar peças do nosso quebra-cabeça interior, que formam a totalidade da nossa expressão sexual. Por exemplo, com um ojas bem fortalecido, teremos uma boa fertilidade; com tejas bem fortalecido, teremos uma boa expressão da nossa criatividade, coragem e amorosidade e com um prana bem fortalecido, encontramos o entusiasmo, corpo radiante e a ação da expressão criativa.

Essas mesmas energias estão ligadas com o Sistema Reprodutor. David Frawley em seu livro Yoga e Ayurveda aponta que ojas é o estado latente do fluído reprodutivo que provê não somente o poder reprodutivo mas a força e nutrição de todos os tecidos corporais internos, particularmente o tecido nervoso. Ojas é nosso poder de resistência e habilidade de nos sustentar, não somente sexualmente mas através das formas de esforços físicos e mentais. Tejas é o estado ativado do fluído reprodutivo  quando é transformado em calor, paixão e vontade. Isto ocorre não somente na atividade sexual mas todas as vezes que somos desafiados ou precisamos nos esforçar. Tejas nos dá valor, coragem e ousadia. […] Prana é a capacidade criadora de vida inerente ao fluído reprodutivo. Isto auxilia na longevidade e rejuvenescimento e estimula o fluxo de prana através das nadis (canais vitais), dando uma profunda energia a mente. Sem a devida reserva do fluído reprodutivo, tornamo-nos deficiente em prana, tejas e ojas. Danosa ou excessiva atividade sexual esgota essas três forças.

Ou seja, precisamos trabalhar para utilizar devidamente essas energias. A grande dica é respeitar nossas energias! Usá-las da forma que desejam ser usadas naquele momento e não obrigá-las a se expressar de uma única forma e maneira. Sinta como ela deseja expressar. Sinta o que ela precisa. Sinta como posso mostrá-la. Lembre-se que ela é sempre mutante e nunca igual. E essa é sua grande dádiva!

A energia sexual está intimamente ligada com a criatividade. Aliás, uma boa criatividade gera muitos frutos! Crio minha vida! Crio soluções para sair de problemas! Crio projetos! Crio arte! Crio e recrio-me! Crio uma vida! Dentro e forma de mim! A energia criativa é essencial para uma vida com sentido e motivação. Criatividade e sexualidade andam juntas. Porque as duas podem ser expressar em diferentes níveis: físico, mental, emocional e espiritual. Não as tranque em um quadrado e não as dê apenas um personagem. Ela quer ser todos os personagens da peça, em cada momento diferente!

David Frawley, complemente com relação às três energias e a criatividade. Ojas é a capacidade criativa latente, o depósito da energia criativa. Teja é a visão criativa, a habilidade de ver novas coisas e romper com o passado. Prana é a ação criativa que faz com que novas coisas venham a ser e permaneçam no estado criativo. Uso apropriado de Ojas é necessário para nos dar o uso justo das reservas de energia criativa. Uso apropriado de Tejas serve para direcionar nossa energia criativa à metas específicas. Uso apropriado das funções do Prana para manter nossa criatividade móvel e transformadora.
Se as energias dentro de nós são móveis, são flexíveis e somam-se umas as outras, porque não ser e viver assim também? Sendo livre para ser o que desejar ser. Sendo livre para ser o que você sente vontade de ser. Sendo livre para expressar-se de forma autêntica, natural e respeitosa com seu corpo, suas necessidades, suas vontades e desejos, e acima de tudo, com sua sexualidade que é onde as deusas conversam conosco e expressam-se em nossas vidas.

Acolher nossas sexualidade e criatividade é acolher a deusa e seus mil nomes.

Quarto, iniciar um primeiro contato com minhas energias:

Aqui, vou sugerir que você faça um diário sexual para sentir, observar e anotar como a energia sexual se expressa em sua vida. Anota todos os dias como você se sentiu:

  • Como está expressando sua energia? Emocionalmente? Intelectualmente? Amorosamente? Pragmaticamente? Simbolicamente? Espiritualmente?
  • Como estão suas energias? Criativa? Embotada? Ausente? Visionária? Intuitiva? Espiritual? Agressiva? Dinâmica? Passiva? Destrutiva? Seletiva? Entusiasmada? Serena? Plena? Pacífica?
  • Como você se sente? Sensual? Bonita? Feia? Sem libído? Sedutora? Fatal? Erótica? Agressiva? Amorosa?
  • Como está sua criatividade?
  • Como está seu ânimo e vontade?
  • Como está sua disposição?
  • Como está sua expressão sexual? Amor intenso? Paixão? Espiritual? Agressiva? Erótica? Fatal? Sedutora? Sensual? Brincalhão? Descontraído? Intenso e rápido? Vagaroso e amoroso? Criativo? Experimental? Impulsivo?
  • Como está sua expressão e relação sexual junto ao outro? Observe as mudanças e as necessidades que sente.

 

Imagem: oráculo de Deusa
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