Dentro de cada mulher, há uma parte que continua, muitas vezes, acorrentada, amarrada e amordaçada. Escondida em um lugar muito distante, com medo de mais uma inquisição. A nossa parte bruxa, já foi punida, por muitas e muitas vezes. Fomos queimadas. Fomos punidas. Fomos acusadas injustamente. Fomos proibidas de exercer nossos dons. Fomos traídas e traímos outras mulheres, quando éramos obrigadas a confessar. Dentro de cada mulher, há o registro dessa cruel e injusta perseguição. Dentro de nós há o registro do fogo nos consumindo, das dores e gritos de tantas mulheres ao serem torturadas, de tantas de tantas pessoas que foram silenciadas. Foi um período de muito sofrimento e que ainda carregamos. Um registro de excessiva proteção, de desconfiança de outras mulheres, de estranhamento com nossos dons, de medo de ouvir e seguir nossa intuição, de desalinho com nossa natureza, de esquecimento da sabedoria das ervas e da magia. Por medo da punição. Como se ainda ficássemos aguardando a punição vir.

Porém, agora são outros tempos. Apesar da mulher ser sempre perseguida e punida na sociedade patriarcal, hoje, já estamos com coragem para adentrar aquilo que somos. Quebrar o muro de separação e armadura de proteção que criamos, os véus que escolhemos para nos ocultar e a repressão da magia que é quem somos. Os Mistérios Femininos estão começando a voltar até a ponta dos nossas dedos. O Saber está voltando até nós. A Magia começa novamente a correr pelas nossas veias. Os ciclos voltam a ser honrados. Novamente nos re-aproximamos da natureza e da lua. Começamos a estender as mãos para outras mulheres e estarmos juntas mais uma vez em círculos, em segredo ou com total abertura. Porque agora é nosso tempo. É nossa hora. É nossa vez de despertar novamente. De assumirmos quem somos. O que somos. O que podemos fazer. Nossos dons. Nossas medicinas. Restaurar a magia e a deusa na Terra. Nos apropriarmos do nosso lugar de direito. É nossa era uma vez mais….

Do profundo viver. Do profundo saber, eu sou feita.
Sou feita dos ensinamentos dos meus ancestrais.
Carrego em mim a força dos elementos
e o entendimento da natureza que me abriga, me auxilia e me ofereço tudo que necessito.
Carrego em mim o conhecimento das ervas, desse povo verde que me ajuda nas curas, nos benzimentos, nos banhos, nos chás, nos feitiços e alimento.
Carrego em mim o conhecimento dos caminhos por onde passei, dos povos por onde vivo, das línguas que falei, das culturas em que vivi, eu sou a mitologia e história viva.
Carrego em mim os elementos da natureza, porque pelo meu corpo queima o fogo, flui as águas, carrega o ar, estrutura a terra e espiritualiza o éter.
Carrego em mim a sabedoria planetária dos astros, dos planetas, dos trânsitos, das conjunções, dos encontros e desencontros, das diferentes galáxias e chuva estelar.
Carrego em mim o conhecimento da terra, do ar, das águas e dos ventos.
Carrego em mim a mutabilidade dos ciclos e das estações, porque sou lunar e cíclica.
Carrego em mim um potencial indescritível, uma intuição fortíssima e um chamado que nunca irá se calar.
Carrego em mim a coragem e liberdade para viver de acordo com minhas necessidades e vontades da alma,
pois sou filha de uma força incomensurável.
Carrego em mim a mais pura liberdade de ser tudo aquilo que preciso ser, para mim e pelos demais.
Carrego em mim o DNA da bruxa, da sacerdotisa, da maga e feiticeira, das curandeiras e benzedeiras, das mães, avós e filhas, do pai e do filho, do ventre e da terra, do céu e da lua, dos elementos e do universo.
Carrego em mim o sagrado,
e este sagrado é o que me guia.

Carrego em mim a Voz, a rebeldia, a serenidade, a compaixão e o entendimento, o respeito e as ferramentas para ser quem eu sou.

Esta bruxa que dentro de mim desperta, é aquela que reivindica tudo de que sou feita.

Sou feita de estrelas, de sangue, de poeira estelar, do sopro divino, da chama das fogueiras, das folhas das árvores, do raio solar, do brilho lunar, da intensidade das águas, do frescor dos ventos…

Eu sou bruxa…porque sei quem eu sou. E não tenho medo de viver nem hoje, nem ontem e nem amanhã.

 

Imagem: desconhecido
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