Em outros tempos, em tempos onde o feminino era honrado e assim também seus ciclos, as mulheres passam seus tempos de lua (menstruação) e também davam à luz e resguardavam-se na quarentena do pós-partos em Tendas Vermelhas ou Tendas da Lua. Onde ficavam juntas, apoiavam-se, cuidavam-se e honravam aquele momento pelo qual estavam passando. As mais novas e as mais velhas. Inexperientes e experientes, todas juntas e misturadas. Porque todas tinham algo para aprender umas com as outras e todas tinham algo para oferecer que irá ajudar. Toda sagrada mulher era honrada e assim também era a sua natureza de fêmea.

A natureza da menstruação é do frio, do inverno, do recolhimento, da caverna, do útero escuro, das profundezas da terra, da escuridão, da bruxa, da profundidade e da imersão interior. É também, um momento de baixa de energia, do nosso interior mais frio, mais recolhido e uma energia mais introvertida. É naturalmente, um momento ideal para orações, meditações, profundas conexões espirituais, silêncio, insights das nossas verdades e respostas essenciais de vida, reflexões profundas sobre escolhas vitais, descanso, quietude, nutrição, pausa e sono com sonhos que criam e dão à luz ao nosso universo particular. É um momento de preservação, como a hibernação, onde conservo energia e me recarrego, para me preparar para o que vem depois, e ir com toda a minha potencialidade.

A natureza do pós-parto, simbolicamente, é muito similar às energias da menstruação. Porque também é um momento de baixa energética ou até mesmo ausência, já que a mãe entrega tudo que tem ao bebê quando este nasce, de vazio (pelo ventre e também pelo limiar de encontrar-se entre o que ela era e o que virá a ser), de frio, das profundezas do nosso interior e de quem somos que foi confrontada durante o parto, da nossa caverna interior que foi aberta conjuntamente com a caixa de pandora de todas as minhas sombras e toda a minha luz, mergulho no útero escuro do desconhecido, emoções limiares que me levam para além do que eu conhecia, necessidade de descanso, repouso, silêncio e nutrição para recarregar suas baterias, renovar suas energias, assim, como tempo para entender e processar o rito de passagem pelo qual passou, a transformação profunda que aconteceu e que pode ser poderosa, se assim, desejarmos ou melhor, aproveitar-mos! Por isso, que a tenda da lua é tão importante ou a antiga quarentena. Porque a mulher precisa de tempo para curar-se do parto. Um bebê nasceu, mas uma mulher também. Algo deixou de existir: uma gestação, uma mulher e uma papel. Algo novo se descortina a sua frente. Esta mulher, precisa de espaço, precisa ser cuidada (alimentada, acalentada e apoiada), para que possa ter tempo para assimilar o que aconteceu com ela e vincular-se e relacionar-se tranquilamente com seu bebê, sem precisar cuidar de mais nada, a não ser dele, enquanto deixa-se ser cuidada. Por outras mulheres, preferencialmente e também pelo seu companheiro. Sem exigir absolutamente nada dela. Apenas, oferecendo suporte e tudo que ela precisar. Laura Gutman, em Maternidade e o Encontro com a própria sombra, enfatiza muito isso. Que o pai cuida da mãe e que a mãe cuida do bebê. Porque a mãe forma uma díade com o bebê: mãe-bebê. Ao cuidar da mãe, ele naturalmente e por extensão está cuidando do bebê.

Em ambos os momentos temos os aprendizados de parar e apenas ser. Ser o que aquele momento está nos pedindo. Que é silêncio, preservação, voltar-se para dentro para acessar à sabedoria, à intuição, à cura e os aprendizados. Assim como, também pede por nutrição, cuidados e muito repouso. É indo para dentro que iremos nos fortalecer, que iremos encontrar as respostas para quem somos e para o que precisamos fazer. Naturalmente, são fases de morte. Onde algo deixa de existir, abrindo caminho para o novo. Nas duas fases, as mulheres passam por um rito de passagem interior fortíssimo, onde estão no limiar da vida-morte-vida. Onde tudo pode acontecer. Onde questões muito profundas vem à tona e são levantadas. Onde todas as minhas sombras, tudo que eu sou, vem me confrontar. Porém, são fases, que se tivermos espaço suficiente para dar atenção à nós mesmas, podemos ter a oportunidade única de mudar absolutamente tudo. De nos reinventar. De ser o que sempre quisermos ser. De voltar para casa. Ir pelo caminho certo. Viver em sintonia com sua alma. Deixar morrer tudo que você não é, para ser quem sempre quis ser, ou nunca pensou que pudesse ser. É um momento crítico. Porque a tensão interior entre o que é e a verdade interior, torna-se intolerável. Por isso que muitas podem vir a sofrer nesses períodos, com dores físicas e incapacitações até crises emocionais e pessoais fortíssimas, como depressão e baby blues. Porque o seu interior está gritando muito alto. A sua alma está uivando muito alto. Todo a natureza feminina da fêmea, do instinto e daquilo que não podemos mais negar, está esfregando verdades fundamentais em nossa cara, e as máscaras já não se sustentam mais.

Por isso, repito, como é essencial recolher-se ao máximo ao silêncio, atenção e presença plena durante a menstruação, e obter todo o suporte necessário das mulheres de confiança ao seu redor para cuidarem de você durante o pós-parto, pelo menos, nos 40 dias iniciais. Para que você tenha espaço e abertura para fazer esse mergulho profundo interno. É uma chance que podemos aproveitar e que pode ser um marco e divisor de águas em sua vida. Se você tiver apoio, dá para usufruir ao máximo de tudo que este momento tem para te oferecer e ser um lindo ritual de passagem pessoal e muito empoderador. Junte-se a outras mulheres. Esteja entre mulheres. Apoie-se em uma rede de sustentação e confiança.

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