A 1a vez que ouvi dizer que a independência era uma ilusão, foi em um dos cursos de BodyTalk. Meu professor Márcio, nos lembrou que somos todos interdependentes, que dependemos em absoluto de tudo ao nosso redor. Dependemos um dos outros, dependemos da natureza, dependemos do Sol e da Lua, dependemos da Terra…dependemos.

Porém, o patriarcado nos vendeu essa idéia de sermos independentes. E o pior: nós mulheres fomos a que mais compramos essa idéia. E hoje, eu vejo o quanto isto está pesando para todas nós mulheres.

Somos mulheres exaustas.
Somos mulheres exauridas.
Somos mulheres sobrecarregadas.
Somos mulheres que já não aguentamos mais o peso da independência.

Sabe, por quê?

Porque ela nos torna uma ilha. Torna as mulheres seres isoladas. Em seu mar de coisas para fazer. Em seu mar de coisas para cumprir. Em seu mar de compromissos. Em seu mar de infinitos papéis. Em seu mar de jornada triplicada. Em seu mar de ter que dar conta de tudo…

…e nunca conseguindo dar conta de si mesma.

Somos profissionais esgotadas.
Somos mães desesperadas.
Somos filhas pressionadas.
Somos mulheres esquecidas por nós mesmas e pela sociedades.

Neste ano, eu percebi o quanto a independência foi me matando pouco a pouco…nestes últimos dias percebi o quanto pouco de mim resta. Porque passei estes últimos 17 anos dando conta de absolutamente tudo…fazendo absolutamente de tudo….doando tudo, inclusive quando não tinha mais nada para doar.

A independência me levou a um lugar de desespero. De perceber que é quase uma insanidade querer bancar tudo e viver por conta própria. É um jeito muito patriarcal de viver. Nos colocamos acima da pirâmide e esperamos que ela nos sustente, porém, não deixamos ninguém se aproximar…ficamos isoladas em cima de pilhar do fazer, conquistar e dominar a nós mesmas.

Enquanto que o feminino é um fluxo de parceira, trabalhos conjuntos, rede de apoio, convivência tribal. Deixar pessoas chegarem até você. Permitir que outros permeiem seu universo. Distribuir tarefa. Permitir que muitos façam o trabalho que diluído entre iguais, torna-se leve e mais prazeroso.

E não somos menos por causa disso…somos mais!

Eu fui aprendendo nesse ano a deixar as pessoas me ajudarem, porque eu já não estava conseguindo mais. Hoje, me bateu aquele desespero e vontade de chorar, porque olhei para minha vida como está hoje, e vi que não é saudável para mim continuar dando conta de absolutamente tudo sozinha. Não há espaço para mais nada e no meio disso tudo, não há espaço para mim.

E, fica aqui a reflexão, do quanto você está inserida nesta armadilha patriarcal de independência, em quais áreas da sua vida é mais forte e como você pode começar a convidar a energia curadora e agregadora do feminino adentrar sua vida e curar essa dinâmica autodestrutiva.

Vamos juntas, aprender a viver em interdependência e cooperação, percebendo que somando realizamos muito mais e iremos abrir espaço para respirar e viver…ao invés de sobrevivermos.

Chega de sermos sobreviventes. Eu quero mais é viver e desejo isso do fundo do meu coração para você também!

Por nós e pelas nossas futuras gerações.
Que assim seja!

Imagem: Gordana Mcamish Wallpaper for Computer: Spider Web
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