À beira da estrada,
À beira mar,
À beira de um grito que ainda teima em se calar.

Vislumbre de estrelas pingando do céu
Escorrendo sonhos,
derramando lembranças,
molhando o solo com expectativas frustradas.

Frustra-se porque não deveria transpor-se no outro
Frustra-se porque não poderia ser vivida,
a menina precisava ser apenas compreendida.

Gata malhada e ferida
vinha mancando pela estrada sem horizonte
Brumas. Noite gélida. Manto negro pesado.

Pelos cobertos de recordações que ainda pesam,
a fazem tremer
a fazem miar baixinho.

Caminha.
Na esperança de poder recomeçar
Espera.
Fundir-se em sua contraparte mal entendida
Ela sabe que é ele.
Ele sabe que é ela.
Mas ainda não deram a chance um para o outro.

As barreiras do eu vivi,
eu senti,
eu sei,
não permitem que se vejam pelo que na verdade são.

Continua…
delgada, torta, marcada…
na relutância pela entrega a jornada da vida.

Não pode fechar-se.
Não pode desistir.
Algumas vidas já foram perdidas,
mas ainda restam algumas.

À beira do abismo.
À beira do rompimento.
À beira do reconhecimento.
À beira de si.

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